Presidente da Gol afirma que aviação brasileira estagnou e compete com apostas online

O presidente da Gol, Celso Ferrer informou que o mercado de aviação no Brasil permanece estagnado entre 90 milhões e 100 milhões de passageiros. O presidente da companhia declarou nesta quarta-feira (10/6) que o setor enfrenta concorrência de apostas online e outras formas de consumo digital pela renda disponível dos brasileiros. As declarações foram feitas durante o Seminário Lide Turismo sem nenhuma base ou fonte da informação.
Setores econômicos da sociedade insistem na estratégia de demonizar as bets e criar a narrativa que as plataformas de apostas esportivas são responsáveis pelo endividamento da sociedade e por todos os males que o país atravessa. No entanto, dados divulgados no último sábado contestam a versão do presidente da Gol, Celso Ferrer.
“O setor passou por uma mudança no comportamento do consumidor, que perdeu, nos últimos dez anos, 19% de sua renda, e isso reflete no volume de passageiros”, disse Ferrer. A perda de poder aquisitivo da população representa um dos principais obstáculos para a expansão do mercado.
O executivo traçou um panorama histórico do setor. “Tem essa primeira onda nos anos 2000, depois tem a chegada da Azul, que vem para o mercado regional, cresce mais, e depois a gente tem o que a gente chama de década perdida na aviação, quando o Brasil chegou a 100 milhões de passageiros, de 2010 a 2020”, explica.
Ferrer detalhou o período de estagnação. “Claro, 2020 é a pandemia, mas, de 2010 a 2020, a aviação ficou ali gravitando em torno dos 95, 100 milhões de passageiros. E, quando a gente olha para isso e vê o efeito que isso tem no turismo, é brutal.”
Aviação bate recorde de passageiros
Contrariando a narrativa de estagnação, a aviação no Brasil segue batendo consecutivos recordes, mesmo com a alta de preços causada pela guerra no Oriente Médio. Os primeiros meses de 2026 tiveram o maior número de passageiros transportados da história.
De janeiro a abril, foram 44,3 milhões de embarques, sendo 33,7 milhões em voos domésticos e 10,6 milhões em voos internacionais. O volume total teve uma alta de 7,6% na comparação com igual período de 2025.
A aviação nacional teve seu pior período do século na pandemia, a partir de 2020, quando houve uma queda brusca e repentina nas operações. Em 2019, antes da crise sanitária, haviam sido 39,6 milhões de passageiros transportados de janeiro a abril. O resultado de 2026 é 11,9% maior que esse.
O cenário competitivo mudou radicalmente. “Hoje, estamos competindo com outras formas de consumo, como as bets, compras online. As pessoas são estimuladas a outras formas de consumo mais prioritário”, afirmou o presidente da Gol.
O setor registrou números recordes de passageiros no ano passado. O crescimento não representa expansão da base de consumidores. As mesmas pessoas viajam com maior frequência. O público de classe média e classe C permanece fora do mercado.
A renda que poderia ser destinada ao turismo está sendo direcionada para apostas online e consumo digital. As companhias aéreas mantêm tarifas entre US$ 40 e US$ 100. Esses valores são praticados há algum tempo.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou em 6 de abril que zerou as alíquotas de PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) sobre o QAV para tentar conter a alta das passagens.
Primeiro, a medida valia até 31 de maio, mas foi prorrogada e agora vai até 31 de julho. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) pede que a isenção fique até o fim do ano.
A Petrobras reduziu o preço do litro do querosene de aviação em 14,2% a partir de 1º de junho. É esperado que o setor tenha um respiro nos próximos meses com essa medida e com o arrefecimento do conflito, com consequente queda na cotação do petróleo.
“O problema não é tarifa, é a perda de renda do brasileiro e a competição com outras formas de consumo”, disse Ferrer. A manutenção de preços acessíveis não tem sido suficiente para atrair novos passageiros.
O executivo apresentou perspectivas para o crescimento futuro. “Daqui para a frente, a próxima onda de crescimento da aviação tem que vir com uma política de desoneração, no País e nos Estados. Temos capacidade de crescer em até 50% o número de passageiros no Brasil”, declarou Ferrer. Ele defendeu redução de impostos em âmbito federal e estadual como condição para expansão do mercado.


