Presidente do Sincoemg analisa atividade do lotérico

Lotérica I 18.01.12

Por: sync

Compartilhe:

O presidente do Sindicato dos lotéricos de Minas Gerais, Marcelo Gomes de Araújo, através do Informativo Online do Sincoemg, convoca os empresários para refletirem sobre a atividade e faz sérios questionamentos sobre a relação Caixa/Lotérico.

“Como presidente do Sincoemg e lotérico fiz algumas reflexões sobre o nosso negócio. Peço a você lotérico que também faça suas reflexões, pois o ano de 2011 foi o pior ano para a classe”, comenta na abertura do informativo.

Veja a íntegra do documento:

“Temos que reconhecer que a SUALO tem buscado trabalhar. Os produtos criados (Mega da Virada e Quina de São João), e as mídias desenvolvidas para esses produtos, foram e são um sucesso. A rede lotérica tem bons e importantes ganhos com essas iniciativas. Isso prova que, quando há vontade é possível melhorar, para todos.

Infelizmente, contudo, essas iniciativas não são sentidas em todos os segmentos da CAIXA. Continuam existindo inúmeros erros na tarifação, no relacionamento com a rede lotérica, nos convênios, nas publicidades institucionais. Enfim: são diversos erros na condução da própria instituição CAIXA. Digo isso pelos seguintes fatos (tomando apenas alguns):

1) Em todo Brasil, os lotéricos hoje possuem pendências como a CAIXA. E isso ocorre pelo simples fato de as despesas serem maiores que a receita gerada pelas comissões pagas.

2) A “bicicleta financeira” do “D+1” faz com que todos corram para a CAIXA, com dinheiro nas meias e cuecas (sem exagero e sem linguagem figurativa) para cobrirem o rombo das contas.

3) O famoso “Adicional de Segurança”, nome dado à forma que a CAIXA encontrou de ficar livre do pagamento do transporte de valores (que é uma obrigação dela), é insuficiente para pagar todo o custo do transporte, o que obriga o lotérico a contrair mais obrigações, ou a correr riscos levando pessoalmente o dinheiro para a CAIXA. Esse dinheiro, levado pelos lotéricos em suas roupas íntimas, não é dinheiro de suborno ou roubo (como infelizmente os jornais noticiam volta e meia, em casos envolvendo pessoas ligadas a políticos). É dinheiro da própria CAIXA. É a própria CAIXA quem faz os lotéricos correr riscos de vida para levar o dinheiro dela até ela…

4) As tarifas pagas pela CAIXA estão defasadas em 57%, o que demonstra, claramente, onde está nosso problema financeiro. Negócio nenhum sobrevive com uma defasagem destas…

5) Enquanto tudo isso acontece, o Departamento de Convênios da Caixa continua obrigando o Lotérico a trabalhar de graça em vários serviços – porque a instituição não pode perder um centavo sequer. Contudo, quem dirige o tal “departamento” não se importa um minuto sequer se isso irá trazer mais problemas e tirar o sono do coitado do Lotérico – deprimido, estressado e endividado. O importante para eles é que o Lotérico deverá faturar cada vez mais para cada Agência.

6) O famoso “Negocial”, tão citado pelos Gerentes e Consultores, tem a mesma política: gera uma remuneração insignificante para o lotérico. E ainda é apresentado como uma saída para o empresário. Ora, basta comparar com qualquer outro banco concorrente: a diferença de comissão é de aproximados 500%!!! Alguma coisa tem que estar errada nisso…

7) O Sr. Barasuol, quando à frente da SUALO, enganou a Rede Lotérica quando fez sua última proposta de aumento. Infelizmente, viu-se que pretendia apenas “fazer passar” aquilo que realmente lhes interessavam, que era baixar o valor dos boletos dos outros bancos.

8) As licitações tornaram-se verdadeiras promoções para Superintendentes Regionais. Está mais do que provado que o que interessa para eles é o faturamento de cada Agência. Não se importam se estão promovendo “canibalismo” entre os Lotéricos. Vale citar aqui os exemplos da Bahia e de Belo Horizonte, que têm a maior quantidade de casas Lotéricas por habitante no país, e onde ainda assim a CAIXA pretende abrir outras mais. Pergunta-se: onde estão os “estudos de viabilidade”, que nunca são apresentados?

9) Quando fazemos reuniões com os executivos da CAIXA e reclamamos das tarifas e outros assuntos, imediatamente surge a seguinte pérola: “mas vocês tiveram o aumento das apostas…”. Como se o aumento nas apostas tenha privilegiado apenas o Lotérico, e não o apostador, os programas sociais e a própria CAIXA.

Ora, a CAIXA deveria ser a primeira a “brigar” pelo aumento do valor das apostas. Afinal, é a própria CAIXA quem destaca suas funções sociais.

Infelizmente, ao fazer sua “função social”, a CAIXA o faz as custas de sua própria rede lotérica e, ainda temos que assistir, afrontados, a CAIXA gastar fortunas em publicidade institucional (publicidade não de seus produtos e serviços, mas da própria instituição), para mostrar sua honradez, sua segurança, sua capacidade. Isso ao mesmo tempo, que trata a pão e água o empresário lotérico, seu parceiro, aquele que leva a instituição nas costas.

A categoria (e todo país) se vê afrontada, também, com as denúncias diárias de irregularidades, a mais recente envolvendo a venda de títulos do Governo, dando prejuízos enormes ao erário (em última análise, a todos os cidadãos, que pagam seus impostos). 

Não fosse tudo isso suficiente, agora a CAIXA quer vender loterias online. Com todo respeito, é justo com a rede lotérica, que ainda se queira tirar seus clientes das lojas? Tem como isso ser bom para a Rede? E fica aqui a pergunta a CAIXA PODE VENDER DIRETAMENTE AO CONSUMIDOR?

Mais: pode-se dizer que o sistema virtual é mesmo seguro? Se tantas irregularidades acontecem com títulos públicos, onde são tantos os controles, serão que os controles dos jogos também não poderão apresentar fraudes? É lamentável tudo isso. Pior: são verdadeiros atos de lesa pátria…

A CAIXA é a proprietária de uma rede, com mais de 10 mil agências, com a maior capilaridade do mundo, que não lhe custa nada, que lhe gera ganhos estratosféricos e ainda lhe reduz seus os custos administrativos de forma exemplar. Com tudo isso, a CAIXA ainda trabalha contra sua própria rede!!!  Quiçá isso seja revisto, e que a situação possa ser revertida. Que em 2012 possamos estar fazendo uma análise de fim de ano muito mais feliz, com bons números, e que ainda tenhamos todos orgulhos de nossos negócios”.

Marcelo Gomes de Araújo, Presidente do Sincoemg.

EGT - 728 X 90EGT - 1280 x 90 1

Compartilhe: