Presidente do Sincoesp fala sobre a “Operação Padrão” dos lotéricos de São Paulo

Lotérica I 28.01.08

Por: sync

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O presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta, conversou nesta quinta-feira(24) com o  BNLData sobre a “Operação Padrão” que as 2.400 lotéricas do estado de São Paulo estão cumprindo a partir de decisão da Assembléia Geral da entidade, realizada no dia 17 de janeiro.
Pela operação serviço-padrão, os funcionários das lotéricas não fazem horas extras, cumprem o horário de almoço integral, com intervalo de uma hora e reduzem o número de terminais para pagamento de contas. Confira:

BNL – Como o senhor analisa a reação da Caixa ao movimento com a ameaça em retirar a permissão do Empresário Lotérico que participasse de qualquer paralisação (art.38 da Lei 8.987/95), inclusive, lembrando para o risco de prisão no caso de incitação à greve (art. 201 do Código Penal)? 

Peralta
– Foi decepcionante a forma como a Caixa reagiu à ameaça de uma paralisação, que ainda era uma proposta  da categoria, pois segundo informações, alguns dos executivos  que estão hoje na liderança da área de Loterias da  Caixa, vêm de segmentos sindicais que sempre lutaram pela liberdade de expressão e de reivindicação, além da liberdade de manifestação. Ao invés de terem ameaçado tomar uma medida de força, deveriam ter recebido a manifestação como uma mensagem de desespero de pequenos e micro-empresários,  que estão atravessando sérias dificuldades no momento e, que normalmente, são empresários sensatos e cumpridores de seus deveres e ordeiros. Diante deste quadro, foram obrigados a radicalizar, na esperança que com esse movimento a categoria fosse ouvida, como de fato precisa ser.

BNL – O senhor acredita que a Caixa poderá retaliar os lotéricos de São Paulo devido ao "atendimento padrão"? 

Peralta
– Esta é uma preocupação, mas acredito que os executivos da Caixa não chegarão a tanto, pois os lotéricos de São Paulo, como eu disse acima, são empresários ordeiros e preocupados em melhorar o seu negócio a cada dia. Estes mesmos empresários, na composição do lucro da Caixa, têm uma participação significativa. Além disso, a manifestação visa preservar e respeitar os direitos dos empresários lotéricos.

BNL – Este manifesto não deveria ser liderado pelas Federações de lotéricos? Até onde vai o envolvimento das federações? 


Peralta
– Isso seria o ideal, mas infelizmente as nossas Federações têm em suas presidências pessoas que têm se mostrado omissas e centralizadoras, não atendendo aos anseios da categoria,  tomando decisões exclusivamente da cabeça dos mesmos e na maioria das vezes é diferente do que a categoria na realidade deseja.

BNL – A  manifestação   de São Paulo poderá ser adotada por outros estados através da mobilização dos sindicatos estaduais? 

Peralta
– Quando da decisão de se convocar uma assembléia para discutir os problemas da categoria, não convidamos nenhum dos outros estados para acompanhar o Sincoesp nas decisões que foram fechadas na Assembléia.  Inclusive na Assembléia, ficou decidido que  caso  não consigamos avançar nas negociações com a Caixa, o Sincoesp irá promover uma caravana até Brasília, a fim de protestar em frente ao prédio da matriz da Caixa e, também, no Congresso Nacional. Vamos convidar os nossos companheiros sindicalistas de todo o Brasil para engrossarem a nossa caravana, para que tenhamos em Brasília o maior numero possível de lotéricos, reforçando  assim, o movimento reivindicatório.

BNL – Gostaríamos de uma reflexão do momento atual que vive o lotérico e a relação com a Caixa? 

Peralta
– A relação com os Executivos da Caixa é boa, sempre que queremos conversar eles atendem sempre educados e solícitos, mas infelizmente as nossas reivindicações principais de segurança, remuneração, reformulação dos jogos, atualização do preço das apostas, quando apresentadas, são ouvidas, mas quando chega a hora de decidir eles vêem somente o que beneficia a Caixa e não a necessidade da Rede.

Por que o senhor questionou o recorde de arrecadação de 2007?

Peralta
– Porque a arrecadação, mesmo batendo o recorde, ainda deixa para o lotérico um valor de comissão muito baixo. Temos apresentado algumas sugestões para a Caixa, tais como substituições  de jogos muito parecidos, jogos mais modernos já que o apostador gosta de novidade, um exemplo disso é a Lotofácil. Para reforçar o que estamos reivindicando, o TCU [Tribunal de Contas da União] em 2002, recomendou à Caixa reajustar o preço das apostas, coisa que não  foi feita e continuamos com algumas apostas com quase 15 anos sem reajuste. Além disso, uma propaganda mais objetiva, procurando divulgar o produto e não a instituição. Se tudo isto for implantado, tenho a certeza que o  crescimento teria sido muito maior e, no máximo em um ano, estaríamos arrecadando mais de R$ 10 bilhões por ano.

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