Proibição de patrocínio de jogos de azar no Reino Unido é rejeitada

A proposta de banir patrocínios e publicidade de apostas em eventos esportivos britânico foi rejeitada mais uma vez no Parlamento do Reino Unido. As emendas foram derrubadas na fase de relatório da Câmara dos Lordes, mas a pressão sobre o tema segue crescendo e deve alcançar o novo primeiro-ministro, Andy Burnham, que assumiu o cargo a partir desta segunda-feira (20/7).
A votação ocorreu no contexto do Sports Events Bill, projeto de lei proposto pela ministra de jogos Baronesa Twycross. O barão liberal-democrata Don Foster de Bath apresentou duas emendas: uma prevendo a proibição de toda publicidade, marketing e patrocínio de apostas em venues cobertos pelo projeto; outra estabelecendo regras de licenciamento de dados para impedir que operadoras sem licença utilizassem informações esportivas.
Argumentos do governo contra as emendas
A Baronesa Twycross pediu que Foster retirasse as emendas. Ela argumentou que não cabe ao governo intervir em acordos comerciais de patrocínio e publicidade, mas reconheceu o compromisso de agir caso anúncios deixem de cumprir padrões de responsabilidade social.
Sobre o compartilhamento de dados por operadoras sem licença, a ministra afirmou que o governo não considera o tema um problema relevante no momento, mas sinalizou que a questão poderia ser analisada pelo novo Illegal Gambling Taskforce, caso necessário. Ela também se comprometeu a debater o assunto diretamente com Lord Foster.
Pressão cresce no nível local
Não é a primeira vez que parlamentares liberais-democratas tentam inserir restrições à publicidade de apostas em outras legislações. No ano anterior, Lord Addington (Dominic Hubbard) propôs emendas ao Football Governance Bill para incluir uma revisão de publicidade e patrocínio; essas propostas também foram rejeitadas.
A oposição à publicidade de apostas, contudo, avança no nível local. O English Devolution and Local Powers Bill já reverteu a antiga regra “Aim to Permit” para licenciamento de estabelecimentos de apostas físicos. Um número crescente de autoridades locais passa a exigir ação também no campo da publicidade.
Liverpool e Sheffield se juntaram recentemente à Coalizão para o Fim dos Anúncios de Apostas (CEGA), tornando-se as primeiras duas grandes cidades do norte da Inglaterra na aliança. A adesão dessas cidades pode ter peso político relevante: Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, confirmou que assumirá o cargo de primeiro-ministro britânico a partir desta segunda-feira (20/7).
Burnham já manifestou apoio a determinadas reformas no setor de apostas. Will Prochaska, diretor da CEGA, escreveu na publicação Politics Home que enfrentar a questão dos anúncios de apostas poderia representar para Burnham uma “vitória rápida” no início de sua gestão.

