Seu celular virou cassino e aplicativos de jogos já movimentam US$ 116 bilhões

E-Sports I 04.08.22

Por: Elaine Silva

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Game PUBG Mobile faturou US$ 2 bilhões no ano passado em compras dentro do app. O jogo é gratuito para download (Imagem: Divulgação)

PUBG Mobile, da gigante Tencent, é um jogo do gênero Battle Royale, que junta num único ambiente (uma ilha deserta, por exemplo) combatentes que demonstram altas doses de resiliência pela sobrevivência – uma espécie de tradução dos tempos atuais para pessoas e empresas. É o game para celular mais jogado da história (supera 1 bilhão de downloads) e o de maior faturamento no ano passado (US$ 2 bilhões). Nesse quesito, foi seguido por Honor of Kings, também da Tencent, que faturou US$ 1,6 bilhão, segundo dados do Business of Apps. Apenas os dois tiveram receita equivalente a R$ 19 bilhões. Segundo o relatório State of Mobile da Data.ai, essa indústria movimentou US$ 116 bilhões. No Brasil, pouco mais de meio bilhão de dólares.

E é por esses volumes que a indústria de games para celular atrai cada vez mais players. Seja quem já é do ramo, seja quem quer expor suas marcas para um público tão massivo. Em PUBG Mobile, uma atualização no ano passado incluiu na trama uma fábrica da Tesla. Esse é um dos caminhos para que o editor do game faça dinheiro, já que o download é gratuito. O outro são as compras dentro do próprio aplicativo, como roupas para personagens, novas fases, ferramentas, cores de carros, entre diversos outros. Em 2021, dados do Sensor Tower mostram que foram gastos US$ 89,6 bilhões em compras dentro de games na Apple Store e na Google Play somadas. O preço da moeda utilizada no PUBG Mobile por exemplo, vai de R$ 1 para 19 moedas do game até R$ 379,90 para comprar 9,6 mil moedas. Um dos itens do jogo chega a custar aproximadamente R$ 140. É um grande marketplace de marcas próprias ou de terceiros.

Acessórios

Não foram só as compras dentro dos games que cresceram no ano passado. O mercado de acessórios para jogar no celular atingiu a marca de US$ 6,7 bilhões em 2021 e deve chegar a US$ 16,8 bilhões até 2030 (150%), segundo a GlobeNewswire. Vitor Martins, gerente regional da América Latina da Razer, maior marca de produtos lifestyle em games no mundo, afirmou à DINHEIRO que investir nesse mercado é inevitável. “E no Brasil há um público massivo que ainda não foi totalmente explorado”, disse. A Razer vem expandindo seu portfólio de acessórios para celular com o lançamento de microfones, controles, óculos inteligentes e headphones. Em julho, anunciou a aquisição da Interhaptics, empresa focada no desenvolvimento de soluções hápticas, aquelas que trazem melhor experiência tátil para os gamers.

A onda em direção à jogatina móvel é tão forte que tradicionais marcas do universo do game tradicional (aquele jogado em consoles ou por computador) aceleram as investidas no segmento. Bertrand Chaverot é diretor para a América Latina da gigante francesa Ubisoft. Ele disse à DINHEIRO que a estratégia da empresa, e principal desafio, é levar para o celular a mesma experiência que os gamers têm nos jogos de consoles e computador. “Logo, as franquias renomadas da Ubisoft estarão em plataformas móveis”, afirmou. No começo do ano, foi anunciado que Rainbow Six Siege, um de seus jogos mais famosos, ganharia versão para celular.

A companhia já olha para o segmento móvel pelo menos desde 2016, mas incrementou a presença no universo com o desenvolvimento in house de equipes destinadas a produzir jogo para celulares e também por meio da aquisição de estúdios que nasceram focados no game para celular, como “Ketchapp (2016), 1492 (2018), Green Panda (2019) e Kolibri (2020)”, disse Chaverot. Maite Lorente, gerente de marketing mobile da empresa, disse à DINHEIRO que o mercado de jogos na América Latina é majoritariamente mobile. “Por isso a Ubisoft vê na região um potencial enorme”, afirmou.

Esse movimento acompanha o aumento do número de usuários de smartphones no mundo. De acordo com o estudo da Newzoo, houve crescimento de 6,1% em 2021, para um total de 3,8 bilhões de pessoas. A China lidera, com 935 milhões. O Brasil vem em quinto, com 160 milhões. É esse mundaréu de gente que se tornou jogador. E, de acordo com os dados do relatório State of Mobile da Data.ai, a próxima tendência é o aumento nos jogos hipercasuais – aqueles que você baixou e já pode jogar sem muita dificuldade. Eles tiveram o maior número de downloads no ano passado: 4 bilhões. O resumo é óbvio: se você ainda não é um gamer, logo se tornará um. (Isto É Dinheiro)

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