Torcedores podem comprar ingressos nas casas lotéricas
O palmeirense Keller Celso Knebel Bravo entrou na casa lotérica Ponto Quente, na rua Turiaçu, e pediu um ingresso para o jogo do seu time contra o Rio Claro na quarta-feira (11). A atendente não estranhou o pedido. Keller separou o dinheiro, informou o CPF e, em menos de três minutos, estava com o comprovante. Ficou satisfeito por fazer a compra no mesmo lugar em que paga contas e faz uma fé na Mega-Sena. Ficou mais satisfeito ainda depois da partida: vitória do Palmeiras por 3 a 0. A lotérica deu sorte.
Adquirir ingressos para jogos de futebol em casas lotéricas é o resultado de uma parceria da Caixa Econômica Federal com os clubes de futebol e a iniciativa privada divulgada com exclusividade pelo Estado. Por enquanto, só é possível comprar entradas para jogos do Palmeiras no Allianz Parque, o primeiro clube do País a testar o serviço, que está em fase piloto. De acordo com a Caixa, vários estádios e clubes estão cadastrados e em fase de implantação. “É mais um serviço que a Caixa coloca à disposição do cidadão, visando à comodidade e acesso a eventos esportivos”, diz a nota da Caixa.
Para comprar os ingressos, é preciso ser sócio-torcedor – não é vendido o bilhete físico, apenas um comprovante cujos dados ficam armazenados no cartão de sócio. As vendas são feitas em dinheiro ou cartão de débito da Caixa (no caso de correntistas) em 13.250 casas lotéricas em todo o Brasil. “O objetivo principal é facilitar a compra do ingresso e o acesso do torcedor ao estádio”, afirma Robson de Oliveira, executivo da Futebol Card, empresa responsável pela venda dos bilhetes.
A inovação também contribuiu com a profissionalização do futebol brasileiro. “O combate à venda ilegal de ingressos é fundamental para a modernização do futebol”, diz um trecho do comunicado da Caixa.
A venda de ingressos nas casas lotéricas representa a última novidade de um longo processo de inovação nos serviços de venda. Nesse aspecto, as arenas brasileiras estão na dianteira. Desde 2007, por exemplo, é possível entrar só com o cartão de crédito nos estádios, um diferencial que só existe no Brasil. Nesse caso, basta comprar o ingresso na internet com o mesmo cartão que será apresentado na catraca do estádio. “É uma tecnologia 100% tupiniquim”, diz Oliveira.
Foi assim que o engenheiro elétrico Sérgio Germano Oliveira acompanhou a goleada do Botafogo sobre o Bonsucesso por 4 a 0 na reabertura do Estádio Nilton Santos (antigo Engenhão). Quatro catracas estavam destinadas unicamente para a entrada com cartão de crédito. Também é possível fazer isso na Ilha do Retiro (PE), Ressacada e Orlando Scarpelli (SC), Couto Pereira (PR) e num setor do Mineirão. “A gente não enfrenta fila na bilheteria. É uma tranquilidade ter uma catraca exclusiva. Achei sensacional”, disse o botafoguense de 53 anos.
No caso do Botafogo, o serviço está inserido em um processo de modernização do clube, que está tentando se reerguer no meio de uma grave crise financeira. Uma das saídas para aumentar as receitas é facilitar a vida dos torcedores. A mesma carteirinha do clube dá também acesso ao estádio. Além disso, o Botafogo criou as categorias de sócio-torcedor e sócio-proprietário, além do torcedor comum. “Atualmente, 20% dos torcedores que entram no estádio utilizam o cartão. A tendência é aumentar”, afirma Klay Salgado, diretor comercial do Botafogo. “O torcedor quer mais comodidade e estamos oferecendo isso”, completa.
Também é possível entrar no estádio só com o aparelho celular. O estudante de Teologia Raylson Araújo Gomes comprou o ingresso pela internet, fez o download da imagem do bilhete e, no momento de entrar no Allianz Parque para assistir ao jogo Palmeiras x Rio Claro, posicionou o visor do celular no leitor da catraca. Com isso, não precisou ficar em nenhuma das longas filas que se formaram perto da hora do jogo para comprar ingressos ou retirar bilhetes adquiridos pela internet. “Foi muito fácil usar o celular. Vou fazer isso sempre”, diz Raylson.
As inovações tecnológicas sempre têm dois lados. No caso da venda de ingresso, os bilheteiros – profissionais responsáveis pela venda nos estádios – estão praticamente em processo de extinção.


