Jogador revela tentativa de manipulação de resultados na terceira divisão do RS; veja

Apostas I 07.09.22

Por: Magno José

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Jogador revela tentativa de manipulação de resultados na terceira divisão do RS; veja
Sem se identificar, goleiro diz que recebeu proposta para influenciar diretamente no resultado. Polícia investiga o caso

O futebol gaúcho tem se deparado com denúncias de supostas manipulações de resultados. Recentemente, a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) solicitou para a polícia uma investigação sobre uma suspeita de manipulação de uma partida no Gauchão Série B, a terceira divisão, após goleada do Bagé por 7 a 0 sobre o Farroupilha. Um jogador e um membro de comissão técnica aceitaram falar sobre o caso sem se identificar.

Um goleiro que atuou na competição, sem se identificar, revelou ter sido procurado por um homem que ofereceu até R$ 5 mil para forçar a derrota do seu time (veja no vídeo acima). Na época, segundo ele, sequer estava recebendo ajuda de custo.

– Ele botou um valor estimado de três, quatro, cinco mil reais por jogo, pra que eu fizesse o que eles mandassem. Eu posso não ter realizado o meu sonho cara, mas eu segui todo o conselho toda a ética que a minha mãe me deu, todos os passos que ela me deu, eu prefiro não ganhar aquele dinheiro – disse o atleta que não se identificou.

Por trás da oferta, estaria um homem que faria apostas em sites da internet. As plataformas permitem arriscar palpites no resultado da partida, em número de chutes a gol, cartões, passes e uma infinidade de indicadores do jogo. Quanto menos provável o palpite, mais dinheiro o apostador ganha, se acertar.

Para forçar esses resultados, apostadores tentam comprar os jogadores. Um integrante da comissão técnica do Farroupilha, time de Pelotas que disputou a terceira divisão, diz que ficou desconfiado durante um jogo em que a equipe perdeu por 7 a 0 para o Bagé.

– A gente sabe que hoje nas casas de apostas também dá pra se apostar nos escanteios, além dos resultados e dos gols. No quinto escanteio, teve uma situação mais estranha ainda que a bola tava quase saindo e o goleiro resolveu meter a mão na bola e dar mais um escanteio para o Bagé. Aí todos que estavam no campo se olharam e viram que realmente as coisas que estavam se pensando no meio da semana estavam acontecendo, que era a venda do jogo para o Bagé ou para alguém – relatou.

O que dizem as autoridades

As suspeitas em torno da partida vieram a público quando o jogador Padilha, do Farroupilha, postou um desabafo nas redes sociais. No texto, disse estar difícil fazer futebol no interior “porque o pessoal vem de fora para usar o clube e fazer apostas”. A polícia investiga se jogadores e comissão técnica receberam vantagens para entregar o jogo.

– O mais trivial é a questão da simulação do resultado pelo próprio resultado, ou seja, um time ajusta para perder o jogo de um determinado modo, de um determinado placar, em certas condições de tempo, para que consigam alavancar ainda mais o aferimento de receitas através das apostas – disse o delegado Gabriel Bicca.

Em Porto Alegre, o suposto esquema de manipulação de resultados no futebol virou processo judicial a partir da denúncia feita pelo promotor Flávio Duarte. A investigação começou depois que o dono de um clube da capital, o Harmonia, revelou que foi procurado por dois homens que ofereceram dinheiro. Até os integrantes da defesa seriam subornados.

O valor oferecido era de 20 mil reais em troca da manipulação do resultado. Ele ainda teria que convencer os jogadores da defesa a entrarem para o esquema. Se aceitassem, receberiam mil reais cada.

– Fomos acionados pela Federação Gaúcha de Futebol a partir da Promotoria do Torcedor que nos encaminhou alguns documentos. Mas principalmente o relato de uma pessoa que sofreu uma abordagem de dois supostos empresários relacionados ao futebol com a proposta que esse dirigente, que na verdade era proprietário de um clube do interior, poderia receber R$ 20 mil caso manipulasse os resultados de jogos – contou Duarte.

Os casos investigados pela polícia e Ministério Público surgiram a partir de denúncias encaminhadas pela Federação Gaúcha de Futebol, que contratou uma empresa de auditoria para monitorar os sites de apostas, que não estão sob investigação. (ge.Globo – Por Giovani Grizotti — Pelotas)

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