Sites de apostas: manipulação de resultados acende alerta em campo

O escândalo de manipulação de resultados na Série B do Campeonato Brasileiro de 2022, em Goiás, acendeu outro alerta sobre os sites de apostas esportivas. O Ministério Público do Estado está investigando o envolvimento de jogadores profissionais e apostadores num esquema que movimentou cerca de R$ 600 mil. O grupo criminoso cooptava atletas para a manipulação de resultados nas partidas, por meio de cometimento de pênaltis, por exemplo.
Um relatório da Sportradar, empresa de monitoramento do setor, apontou que o Brasil foi o primeiro colocado entre os países que tiveram mais jogos com suspeita de resultados manipulados no ano passado. A marca colabora com a CBF, FIFA e UEFA.
Segundo o advogado Paulo Crosara, casos como esse da manipulação de resultados em jogos, pode gerar punições no âmbito desportivo e no penal. “Pelo Estatuto do Torcedor, os times podem ser excluídos do campeonato ou podem ser suspensos. Os jogadores podem ter inscrições canceladas”, destaca.
Na esfera penal, ele explica que se aplica o Artigo 171. “Qualquer forma ardilosa, em que você, desrespeitando regras, ganha dinheiro em detrimento de outras pessoas, é estelionato”. A pena prevista é de 1 a 5 anos.
O CEO do Esportes da Sorte, Darwin Filho, entende que esses escândalos são extremamente prejudiciais às plataformas consideradas sérias em atuação no país.
Segundo o executivo, algumas medidas já vêm sendo tomadas para que esses fatos não aconteçam. “Vejo avanços em termos de fluidez de comunicação entre as casas de apostas e as federações estaduais, a fim de facilitar o intercâmbio de informações acerca de movimentações incompatíveis em determinados jogos. Essas informações permitem que as federações possam cumprir diligências internas de modo a constatar possíveis fraudes”, aponta.
Um levantamento divulgado, nessa quarta-feira (22), pelo Instituto Paraná Pesquisas mostrou que mais da metade dos brasileiros (63,9%) acredita que exista manipulação dos resultados para favorecer grupos de apostas.
A pesquisa do instituto contou com 2010 eleitores, com 16 anos ou mais, em 154 municípios brasileiros de 26 Estados e Distrito Federal. As entrevistas foram realizadas entre os dias 15 e 18 de março. A estimativa da margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para os resultados gerais. (O Tempo – MG)


