Casas de apostas dominam 90% dos patrocínios na Série A do futebol brasileiro

Apostas I 05.12.25

Por: Magno José

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Casas de apostas dominam 90% dos patrocínios na Série A do futebol brasileiro
Flamengo tem o maior patrocínio do Brasil vindo de uma casa de aposta. (Foto: Gilvan de Souza/CR Flamengo)

Empresas de apostas esportivas (Bet) estampam o espaço principal de 90% dos uniformes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro em 2025. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (4) pela consultoria Jambo Sport Business, revela uma concentração setorial que supera marcas históricas como a da Coca-Cola nos anos 1990 e da Caixa Econômica Federal na década passada. Enquanto o Brasil amplia essa dependência, mercados europeus seguem direção contrária com restrições a esse tipo de patrocínio, registra reportagem do Estadão.

A presença das casas de apostas nos uniformes dos times brasileiros representa uma mudança radical em relação a 2014, quando o primeiro levantamento da consultoria apontava ausência total desse setor nos patrocínios da elite do futebol nacional, consequência da proibição vigente à época.

A expansão do setor no Brasil ocorreu após a legalização das apostas esportivas em 2018. A regulamentação efetiva, no entanto, começou a ser implementada apenas em 2023, criando um período de crescimento com controles limitados que permitiu às empresas de apostas conquistarem rapidamente o espaço publicitário no futebol brasileiro.

O atual percentual de 90% supera marcos importantes de concentração setorial no patrocínio do futebol brasileiro. Em 1992, a Coca-Cola estava presente em 70% das camisas dos clubes da primeira divisão. Em 2016, o setor financeiro alcançou 80% de presença nos uniformes, com a Caixa Econômica Federal respondendo por 60% desse total.

O Brasil segue caminho oposto ao de grandes ligas mundiais, que implementam restrições ou proibições a este tipo de patrocínio. Na Premier League inglesa, as casas de apostas ocupam 55% dos espaços principais, mas essa presença tem prazo determinado: a partir da temporada 2026/27, entrará em vigor uma proibição total.

Na Itália, onde a proibição vigora desde 2019 através do Decreto Dignità, a presença direta do setor caiu para 5%. Na Alemanha, onde existem restrições severas a patrocínios de apostas, o setor financeiro lidera com 27,8% de presença, seguido por empresas de serviços e telecomunicações.

Nos Estados Unidos, onde 12 estados, incluindo Califórnia e Texas, proíbem apostas esportivas, o setor de saúde domina com 30% dos patrocínios na MLS, seguido pelo setor financeiro com 20%.

O banimento total das apostas na Europa em 2021 retirou aproximadamente €90 milhões do mercado, afetando principalmente clubes menores. O vácuo deixado foi preenchido por setores diversos, incluindo o de eletroeletrônicos (15%), impulsionado pela venda de ar-condicionados em um continente com temperaturas crescentes.

O estudo da Jambo Sport Business indica que o futebol brasileiro poderá enfrentar desafios financeiros caso ocorram mudanças regulatórias semelhantes às implementadas na Europa ou uma retração natural do mercado de apostas. A análise aponta que concentrações setoriais ocorrem em ciclos que eventualmente se encerram.

O levantamento também observa que os clubes brasileiros precisam diversificar suas fontes de receita para evitar dependência excessiva de um único setor. Não há indicação clara sobre qual setor poderia preencher o espaço caso ocorra redução na presença das casas de apostas, seja por maior regulação seguindo a tendência europeia ou por consolidação natural do mercado.

 

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