Futebol chinês bane 73 pessoas por manipulação e corrupção em ampla ofensiva anticorrupção

A Associação Chinesa de Futebol (ACF) baniu 73 pessoas do esporte, incluindo o ex-técnico da seleção nacional Li Tie, por envolvimento em esquemas de manipulação de resultados e corrupção. A medida foi anunciada na quinta-feira (30/01) como parte dos esforços governamentais para restaurar a integridade do futebol no país.
As punições integram uma ampla ofensiva estatal que busca “limpar” o futebol chinês após a descoberta de um esquema sistemático de subornos e apostas ilegais. A investigação identificou práticas irregulares que comprometeram o cenário profissional do esporte nos últimos anos.
A decisão faz parte de uma campanha anticorrupção da ACF. As punições foram divulgadas num comunicado conjunto entre o Ministério de Segurança Pública da China, a Administração Geral do Esporte e a federação de futebol do país. Não foi especificado quando e como as manipulações ocorreram.
A ACF aplicou as sanções depois que as autoridades detectaram violações éticas e administrativas nas competições nacionais. Entre os punidos mais notáveis estão o ex-presidente da federação, Chen Xuyuan, que cumpre prisão perpétua por aceitar subornos de mais de R$ 57 milhões, e Li Tie, condenado a 20 anos de prisão. Ambos receberam banimento permanente de qualquer atividade relacionada ao futebol.
Li Tie foi técnico da seleção principal masculina da China entre outubro de 2019 e dezembro de 2021. Ele chegou a jogar na Premier League, pelo Everton, quando atleta. O escândalo afetou principalmente dirigentes e ex-dirigentes, mas também atingiu clubes da primeira divisão nacional. As investigações mostraram um padrão de corrupção que se estendeu por diversos níveis da estrutura futebolística chinesa.
Dos 16 clubes que disputarão a Superliga Chinesa (CSL) em 2026, 11 começarão o campeonato com deduções de pontos. O Shanghai Shenhua e o Tianjin Jinmen Tiger sofrerão as penalidades mais severas, perdendo 10 pontos cada, além de receberem multas financeiras substanciais. O Shanghai Shenhua, vice-campeão em 2025, foi multado em 1 milhão de yuans (R$ 747,5 mil).
Ao todo, 13 clubes foram punidos com multa e dedução de pontos, sendo nove da Superliga Chinesa, a principal divisão do campeonato nacional. O atual tricampeão Shanghai Port e o Beijing Guoan também foram penalizados com a redução de cinco pontos cada na classificação. O Shanghai Port terá de pagar 400 mil yuans, o equivalente a R$ 299 mil. A competição começará em março com quase 70% dos participantes sofrendo algum tipo de penalidade.
A ACF afirmou que as sanções são “vitais para manter a competição justa e purificar o ambiente esportivo”. A entidade enfatizou que as punições refletem o compromisso do governo em erradicar práticas corruptas no futebol nacional.
As medidas foram anunciadas na China, onde o governo tem intensificado esforços para combater irregularidades no esporte, visando recuperar a credibilidade do futebol local tanto internamente quanto no cenário internacional.
Não foram divulgados detalhes sobre possíveis recursos contra as punições ou se novas investigações estão em andamento para identificar outros envolvidos no esquema.


