Apostas é entretenimento e os dados deixam isso claro

Opinião I 17.04.26

Por: Magno José

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CEO da Pay4Fun, Leonardo Baptista alerta contra sites de apostas ilegais
Leonardo Baptista*

Apostas não são e nunca foram uma forma de investimento. São entretenimento. E os dados mais recentes sobre o comportamento do brasileiro deixam isso evidente. Hoje, mais de 57% dos apostadores no país gastam até R$ 50 por mês. São cerca de 7,8 milhões de pessoas inseridas em uma faixa de consumo baixa, compatível com lazer, não com a busca por renda ou enriquecimento. Esse dado, por si só, deveria ser suficiente para reposicionar o debate público.

Isso não significa ignorar riscos. Eles existem e precisam ser tratados com seriedade. Mas é preciso separar o que é comportamento pontual do que é padrão. Quando a maior parte dos usuários está concentrada em valores baixos, fica claro que estamos diante de um consumo majoritariamente recreativo.

A regulamentação teve papel central nesse entendimento. Ao trazer regras claras, exigir identificação e permitir o monitoramento das operações, o Brasil passou a enxergar um mercado que antes operava sem transparência. E, ao enxergar, passou a compreender melhor quem são esses usuários e como se comportam.

Os efeitos dessa organização já aparecem nos números. Após um período inicial de adaptação, o volume movimentado com apostas cresceu mais de 30% no segundo semestre, em um movimento de retomada sustentado por maior previsibilidade e confiança.

Há ainda um ponto objetivo que precisa entrar nessa equação: o destino dos recursos. Com a regulamentação, o dinheiro passou a retornar para a sociedade. Hoje, mais de 60% da arrecadação é direcionada a áreas como esporte e turismo, além de contribuições relevantes para segurança pública, educação e seguridade social.

O Brasil não está discutindo se as apostas devem existir, elas já fazem parte da realidade. A questão central é como esse mercado deve funcionar: com regras, transparência e proteção ao usuário, ou à margem.

Tratar apostas como promessa de ganho financeiro é um erro. Os dados mostram um cenário mais equilibrado e é a partir dele que o debate precisa evoluir.


(*) Leonardo Baptista é formado em Ciência da Computação pela Faculdade Associadas de São Paulo (FASP) e Bacharel em Gestão de Marketing pela Universidade Anhembi Morumbi, Leonardo Baptista é CEO & Cofundador da Pay4Fun, a primeira instituição de pagamento, que atua no setor de apostas esportivas, a receber a autorização do Banco Central do Brasil. O empresário tem mais de 20 anos de experiência na indústria de jogos e tecnologia da informação: em 2004 montou o primeiro bingo na internet, operação já permitida no Brasil na época. Em 2022, Leonardo entrou para a lista dos dez CEOs mais inspiradores da CIO Business Review, que seleciona os executivos mais influentes do mundo dos negócios.

 

 


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