Lula usa fim da escala 6×1 e crítica a bets para se aproximar de evangélicos e conservadores

Apostas I 18.04.26

Por: Magno José

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Presidente se declara cristão ao criticar as bets e Boulos defende fim da escala citando tempo para igreja, em estratégia para atrair evangélicos a 6 meses das eleições (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Lula (PT) e integrantes do governo federal passaram a utilizar argumentos baseados em valores religiosos e familiares ao abordar apostas online e jornada de trabalho. A mudança de estratégia discursiva ocorre a cerca de seis meses das eleições. Integrantes do governo identificaram em discussões internas a possibilidade de vincular esses temas à defesa da família, pauta valorizada por setores conservadores.

O chefe do Executivo passou a se posicionar como cristão ao criticar as plataformas de apostas online. O ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (PSOL), adotou abordagem direcionada a conservadores ao divulgar o envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional para eliminar a escala de trabalho 6×1, conforme informações da Folha de S.Paulo.

Mudança de abordagem política

A constatação de que medidas econômicas não são suficientes para atrair grupos evangélicos e conservadores levou governistas a adotarem a nova abordagem discursiva. Estudos realizados pelo grupo político de Lula e pesquisas divulgadas ao público demonstram que as medidas econômicas implementadas pelo governo não foram suficientes para conquistar determinados segmentos do eleitorado.

O presidente acreditava que propostas econômicas, como aumento salarial e ampliação de programas sociais, seriam suficientes para atrair setores do segmento religioso que aderiram ao bolsonarismo ao longo do tempo. O governo atribui parte da responsabilidade pelo crescimento do endividamento da população às bets.

Em períodos anteriores, Lula evitou associar religião e política. Durante a campanha eleitoral de 2022, o petista aceitou divulgar uma carta direcionada ao público evangélico apenas após insistência de aliados.

Declarações sobre apostas online

As declarações de Lula sobre as bets ocorreram em entrevista concedida na terça-feira (14) aos sites Brasil 247, DCM e Revista Fórum. Uma semana antes da entrevista, o presidente havia manifestado que, caso dependesse dele, as plataformas de apostas seriam encerradas.

Durante a entrevista, o chefe do Executivo afirmou que a população enfrenta despesas inexistentes no passado. “E agora tem as bets para assaltar o povo”, declarou o petista. “Nós brigamos a vida inteira contra cassino, eu pelo menos, como cristão, agora o cassino está dentro da sua casa”, afirmou o presidente.

“Se fazem tão mal, por que a gente não acaba? Estamos tentando discutir isso”, afirmou.

Na mesma entrevista, Lula declarou ter “compromisso moral, ético e até cristão de não permitir que os fascistas voltem a governar”. A declaração foi feita para encerrar especulações sobre uma possível desistência de concorrer à reeleição.

Projeto sobre jornada de trabalho

Na quarta-feira (15), Boulos divulgou o projeto sobre a jornada de trabalho. O ministro adotou a abordagem sobre o projeto da jornada de trabalho direcionada a conservadores.

“O projeto de lei com urgência do fim da escala 6×1 é o projeto da família trabalhadora. Porque quem defende a família no Brasil, defende que o trabalhador e a trabalhadora possam ficar mais tempo com a sua família”, declarou Boulos.

O ministro também argumentou que a aprovação do projeto permitiria às pessoas mais tempo para frequentar a igreja. Esse argumento específico teria sido formulado por Boulos, não em conversas internas da gestão. Segundo o ministro, o projeto beneficiaria especialmente mulheres sobrecarregadas com trabalho e responsabilidades domésticas.

“Ela não tem descanso, não tem tempo de lazer, não tem tempo de ir para a igreja, não tem tempo de assistir a um jogo de futebol”, declarou o ministro.

Os dois temas utilizados para essa aproximação — bets e escala 6×1 — têm aparecido com frequência nas falas de integrantes do governo. Em pelo menos um desses casos, o discurso direcionado a conservadores foi parcialmente construído em discussões internas do governo.

Cenário eleitoral

Pesquisa Datafolha divulgada na última semana revelou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, possui o dobro da intenção de voto do presidente entre evangélicos. A pesquisa não detalha os percentuais exatos de intenção de voto entre evangélicos para cada candidato, informando apenas que o senador tem o dobro do apoio do presidente nesse segmento.

No recorte geral do eleitorado, Lula registra 45% das intenções de voto em um segundo turno contra Flávio Bolsonaro, que obtém 46%. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, configurando empate técnico. Ambos os políticos também registram os maiores índices de rejeição entre os potenciais candidatos ao pleito.

O eleitorado evangélico e conservador aparece como público-alvo dessa nova estratégia discursiva do governo federal.

 

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