Brasileiros usam apostas online como renda extra e apenas 1% gasta dinheiro das contas

Apostas I 19.04.26

Por: Magno José

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Brasileiros usam apostas online como renda extra e apenas 1% gasta dinheiro das contas
Levantamento Datafolha com 2.002 pessoas mostra que 10% apostam em plataformas digitais e 5% buscam complementar orçamento para pagar despesas mensais

Dez por cento dos brasileiros afirmam ter o hábito de utilizar plataformas de apostas ou cassinos online. A pesquisa Datafolha ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios do país. A coleta de dados ocorreu nos dias 8 e 9 de abril. (‘67% dos brasileiros dizem ter dívidas financeiras, e 21%, parcela em atraso, segundo Datafolha‘)

Entre os usuários de plataformas de apostas e cassinos online no Brasil (pergunta feita aos 209 apostadores em bets), 46% afirmam que a prática tem como objetivo obter renda extra para auxiliar no pagamento de contas. Segundo informações da Folha de S.Paulo, a pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Cinco por cento do total de entrevistados afirmam que já apostaram com o objetivo de conseguir uma renda extra para ajudar a pagar as contas. Um por cento dos respondentes declarou que já utilizou o dinheiro destinado ao pagamento das contas do mês para realizar apostas.

Do total de respondentes, 10% declararam ter o costume de apostar em plataformas online. Desses, 2% apostam com alta frequência, 4% apostam às vezes e outros 4% apostam raramente.

Os apostadores declarados são mais frequentes entre os homens, com 14%, do que entre as mulheres, com 7%. O perfil predominante inclui jovens com ensino médio completo que ganham até dois salários mínimos, equivalente a R$ 3.242.

Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas) e professor da FGV EAESP, afirma que as apostas contribuem para o endividamento do brasileiro. Há um peso maior de outros fatores, como educação financeira, oferta de crédito e cenário macroeconômico.

“As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas. E também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja muito importante. É a combinação de diversos fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia”, afirma o especialista.

No Brasil, a literatura econômica e independente sobre o tema ainda é escassa.

Um estudo conduzido pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, detalha a erosão sistemática na estabilidade financeira das famílias provocada pelas apostas online.

Nos EUA, cada transação eletrônica carrega um código de quatro dígitos. Os pesquisadores associados ao NBER isolaram as chaves 7801 (Internet Gambling) e 7995 (Apostas e Loterias). A metodologia identificou com precisão o capital destinado a 11 grandes plataformas, como FanDuel e DraftKings, que dominam 70% do mercado.

Os dados mostram que cada US$ 1 gasto em apostas resulta em uma redução de US$ 1 na poupança e investimentos em outros ativos financeiros.

No Brasil, estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável afirma que o jogo de azar tem peso limitado sobre o consumo das famílias. A entidade reúne alguns dos maiores sites de apostas atuantes no Brasil. Segundo o levantamento feito pela consultoria econômica LCA, os gastos com apostas representam 0,46% do consumo. O patamar é similar ao das bebidas alcoólicas, que representam 0,5%.

 

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