Caixa adota reembolso para kit promocional da Quina de São João e irrita lotéricos

Lotérica I 25.06.26

Por: Magno José

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Caixa adota reembolso para kit promocional da Quina de São João e irrita lotéricos
Lotéricos arcaram com custos de divulgação, e reembolso tardio é insuficiente para despesas com banners e adesivos; regra foi divulgada na semana do sorteio do segundo maior concurso especial do ano

Material promocional que não chegou, verba considerada insuficiente e regras divulgadas na semana do sorteio. Esse foi o cenário enfrentado pelos empresários lotéricos para a extração da Quina de São João, o segundo maior concurso especial do calendário lotérico do meio do ano.

A extração da Quina de São João com prêmio estimado em R$ 260 milhões será sorteada no domingo (28), as 14h, no CTN – Centro de Tradições Nordestinas de SP. ​

A Caixa Econômica Federal rompeu com uma prática consolidada: a de produzir e distribuir antecipadamente os kits de divulgação para os concursos especiais. Sem material em mãos, os lotéricos tiveram de arcar com os próprios custos de promoção, e o reembolso prometido pela instituição chegou tarde e em valores que a categoria considera aquém do necessário.

O comunicado que chegou tarde

A Caixa minimizou a situação por meio de comunicado (CE GENOL 0003/2026) enviado à rede lotérica para autorizar o que chamou de “produção descentralizada de material promocional para os concursos especiais do mês de junho”. No modelo adotado, cada empresário escolhe seu próprio fornecedor, com base em arte digital disponibilizada no portal Conexão Parceiros, vedada qualquer alteração de conteúdo. Após a apresentação de nota fiscal, o ressarcimento ocorreria em até 15 dias úteis a partir da confirmação da validação do documento.

O problema está no calendário: as regras foram divulgadas na semana do próprio sorteio da Quina de São João. Muitos lotéricos já tinham comprado o material sem solicitar nota fiscal, exatamente o documento exigido para receber o reembolso.

Os valores definidos pela Caixa seguem a quantidade de Terminais Financeiros Lotéricos (TFL) por unidade lotérica (UL):

⇒ Até 3 TFL: limite de reembolso de R$ 200,00;

⇒ De 4 a 8 TFL: limite de R$ 400,00;

⇒ 9 TFL ou mais: limite de R$ 600,00.

Para a categoria, esses valores são insuficientes para cobrir os gastos reais com banners, adesivos e bandeirinhas. A reclamação é especialmente aguda nos estabelecimentos menores, onde o limite de R$ 200 por unidade não chega perto de cobrir o custo de uma campanha visual mínima.

Quina de São João não foi caso isolado

A ausência de material promocional já tinha gerado desgaste antes. No Dia dos Lotéricos, celebrado no dia 26 de maio, empresários de todo o país registraram reclamações em grupos de WhatsApp e em manifestações públicas pela falta dos kits para a Quina de São João. A mesma situação havia ocorrido na Mega 30 Anos, concurso especial realizado em comemoração aos 30 anos da Mega-Sena; banners e faixas também não foram entregues naquela ocasião.

A categoria aponta descumprimento de obrigações contratuais. Pelo contrato com a Caixa, a instituição é responsável por fornecer material de divulgação das Loterias Caixa equipamentos, sistemas e insumos, incluindo bobinas, volantes e materiais de escritório. A interrupção do envio físico dos kits de divulgação para concursos especiais é vista pelos lotéricos como violação desse acordo.

Um dirigente de sindicato estadual, durante as manifestações do Dia do Lotérico, disse publicamente que a Caixa não dispunha de contrato ativo de promoção na época, uma vez que a licitação para esse tipo de serviço havia sido encerrada sem renovação imediata. Sem agência contratada, a instituição não teria como produzir e enviar o material.

Contrato de R$ 265 milhões e fundo de R$ 247 milhões

O argumento de indisponibilidade de recursos ganhou novos contornos com informações publicadas posteriormente. Na quarta-feira (11/6), o Diário Oficial da União trouxe o extrato de contrato firmado entre a Caixa e a empresa Promova Co Promoções, Eventos e Serviços Ltda., para prestação de “serviços de marketing promocional para o planejamento e conceituação criativa; criação de peças promocionais; produção e logística de ações promocionais e eventos de todas as naturezas”. O valor: R$ 265 milhões pelo período de 12 meses.

Em paralelo, a Caixa administra o Fundo para Desenvolvimento das Loterias (FDL), criado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 130/1981 com o objetivo de garantir que parte da arrecadação lotérica seja destinada ao desenvolvimento tecnológico, à modernização e à promoção do negócio de loterias. A previsão de receita do FDL para 2026 supera R$ 247 milhões. Para os lotéricos, a existência desses recursos torna ainda mais difícil de justificar a ausência de material promocional nos concursos especiais.

Exceção ou novo padrão?

O comunicado da Caixa enquadra o modelo de reembolso descentralizado como medida “em caráter excepcional”. Para os empresários, essa expressão sugere que a prática não se repetirá em futuras extrações especiais, agora que a instituição conta com agência de marketing contratada. A dúvida que persiste na categoria é se o ressarcimento dos gastos com a Quina de São João representa um caso isolado de gestão de crise ou o início de uma mudança mais ampla na forma como a Caixa trata o custeio de materiais promocionais para a rede. A resposta a essa questão ainda não foi fornecida pela instituição.

 

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