Brasileiro perde R$ 340 mil em apostas e se alista no Exército da Ucrânia
O brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, se alistou no Exército Ucraniano após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line. Morador de Iguape, no litoral de São Paulo, ele passou a servir à Legião Internacional de Defesa da Ucrânia em março de 2026.
A decisão de cruzar o mundo para combater numa guerra foi, segundo Moita, uma tentativa de romper com o vício em jogos de azar. Uma psicóloga havia identificado indícios de ludopatia, transtorno classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença mental que afeta o sistema de recompensa cerebral. Em um único dia, ele chegou a perder mais de R$ 75 mil apostando.
“Eu estava me destruindo. Pensei: ‘Eu preciso sair daqui, preciso mudar’. O meu pai me falou: Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida? […] Eu precisava sair daquele ambiente para mudar o meu raciocínio, sair daquela prisão mental”, desabafou em entrevista ao g1.
Vício e alistamento
Natural do Rio de Janeiro, Moita se mudou para Iguape em 2022 para assumir a guarda do filho. Na cidade, trabalhou com vendas de eletrônicos e como motorista de aplicativo, mas apostou os ganhos obtidos nos dois serviços. “Cheguei a mandar meu pai confiscar o meu telefone para não jogar”, afirmou.
A decisão de se alistar não foi bem recebida por parte da família, que também tem militares entre seus membros. Para Moita, porém, o desafio alterou a relação com o dinheiro. O alistamento ocorreu em março, quando ingressou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia.
Rotina na guerra
Nas redes sociais, Moita compartilha o dia a dia sob o codinome “BadBoynaUcrania”, apelido de um grupo de amigos da infância em São Gonçalo (RJ), incorporado à tarja de identificação no Exército. “Aqui ninguém sabe o nome de ninguém, só pela ‘chapa’. Ninguém aqui me conhece como Thiago”, afirmou.
A rotina inclui treinamentos de 12 horas diárias, com aprendizado no manuseio de armas, minas, granadas e explosivos, além de táticas militares. As missões podem durar de uma semana a 40 dias, conforme a necessidade operacional. Segundo Moita, há outros treze brasileiros no batalhão em que está alocado.
Ele não atua nas equipes de assalto, diretamente envolvidas em confrontos armados com os russos, mas a tropa convive com ataques de drones e mísseis. Desde março, Moita esteve alocado em uma região considerada perigosa. “Era um pesadelo. Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá”, relatou.
Após ser transferido para uma área considerada mais segura, um ataque deixou dezenas de mortos no local de onde havia saído. Entre as vítimas, um colega brasileiro. “Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora”, afirmou Moita.
Retorno previsto
Moita deve retornar ao Brasil entre novembro e dezembro de 2026, durante o período de férias de um mês previsto em contrato. Na ocasião, ele decidirá se rescinde o acordo ou segue pelos próximos três anos nas fileiras do Exército Ucraniano. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, afirmou.
Ao encerrar a entrevista, ele alertou sobre os riscos do alistamento. “As pessoas têm que ficar sabendo que você tem que ficar aqui no mínimo seis meses. Três colegas meus fugiram [foram desertores]. E eles eram os melhores”, finalizou. (Fotos: Redes Sociais)





