Restrição a jogos e bets é aposta de Lula na reta final da eleição

Apostas I 19.09.26

Por: Magno José

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Lula promete medidas contra sites de apostas online durante evento em São Paulo
Lula aposta em efeito eleitoral da medida contra endividamento e vício, mas jornalista Toledo aponta riscos de contestações judiciais  (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O governo federal decidiu editar uma medida provisória para restringir jogos e apostas no Brasil. A iniciativa é avaliada por analistas políticos como uma jogada eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da campanha.

O debate desta sexta-feira (18) entre os jornalistas Rodrigo Matos, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky foi apresentado no podcast A Hora, do UOL Notícias. Segundo Toledo, a medida provisória começa a valer assim que for editada, enquanto o Congresso delibera sobre manter ou derrubar o texto.

Leitura política da medida

Para Toledo, a estratégia transfere para a oposição o custo político de se posicionar contra a restrição. Em sua avaliação, o governo aposta no impacto eleitoral da promessa ao associá-la a um alívio para famílias atingidas por endividamento e vício em apostas.

“É uma jogada eleitoreira, não tenho a menor dúvida; uma decisão que não tinha consenso dentro do governo. A gente acompanhou essa discussão durante meses e era uma discussão, não uma decisão. Lula era o mais radicalmente contra e agora, finalmente, bateu a mão na mesa e falou: ‘vamos acabar ou vamos restringir muito’, apostando, sem dúvida, no efeito eleitoral”, disse Toledo.

O jornalista também avalia que Lula tenta reposicionar a campanha com uma agenda voltada ao futuro, abandonando a comparação constante com o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Toda a campanha do Lula, até a semana passada ou retrasada, era olhando pra trás, que é um equívoco total. As pessoas votam na esperança, não na experiência. Ele quer dizer: ‘eu sou o cara que vai acabar com o jogo no Brasil e, se não acabar, é porque o Congresso não deixou e quem não deixou vão ser os bolsonaristas do PL ou os aliados dele'”, disse.

Thais Bilenky concorda com a leitura. Para ela, eleitores afetados por problemas relacionados às apostas podem passar a ver Lula com mais simpatia. “E todas aquelas pessoas que estão sofrendo com crise de vício na família, endividamento, transtorno mental e outros mil problemas que a gente sabe que as apostas causam, vão olhar para o Lula com um pouco mais de simpatia a partir deste momento. E essa é a jogada que obviamente está por trás dessa decisão, além de eventualmente ser favorável mesmo à proibição”, afirmou a jornalista.

Riscos e resistências

Toledo reconhece que a iniciativa não está isenta de obstáculos. Ele aponta a possibilidade de contestações judiciais e congressuais, além de pressão de grupos econômicos com interesses no mercado de apostas.

“É uma jogada com risco, porque vai ter milhões de contestações lobísticas de toda a ordem, mas esse público que está endividado, principalmente as mulheres chefes de família, pode eventualmente mudar um pouco a história dessa eleição”, afirmou Toledo.

Na leitura do jornalista, o movimento de Lula tem um objetivo mais amplo: evitar uma queda de avaliação na fase final da campanha e garantir vaga no segundo turno, quando haveria mais espaço para recuperar a aprovação do governo.

Ouça também A Hora Extra, edição especial do podcast para assinantes do UOL.

 

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