Futebol brasileiro: patrocínio de bets representa 7% da receita média dos clubes

Apostas I 23.09.26

Por: Magno José

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Bets sob ameaça: o que uma MP pode custar ao futebol brasileiro — e à sua hegemonia continental
Levantamento do Globo Online Esportes revela que nenhum contrato de aposta ultrapassa 13% do orçamento de equipes da elite, apesar de manifesto contra MP

Clubes brasileiros assinaram um manifesto conjunto nesta quinta-feira (18/9) alertando para um possível “fim do futebol brasileiro” diante da intenção do Governo Federal de adotar uma Medida Provisória que proíbe os cassinos online. A preocupação central é que as casas de apostas, hoje as principais patrocinadoras do esporte nacional, possam ser obrigadas a revisar contratos em razão de eventual queda de faturamento.

Um levantamento do Globo Online Esportes, porém, relativiza o tamanho da dependência dos clubes em relação às bets. Dos 20 times da Série A do Brasileirão, 13 estampam casas de apostas como patrocinadoras máster em suas camisas. O volume total injetado por essas empresas no futebol brasileiro em 2026 é de cerca de R$ 1,1 bilhão, mesmo patamar da temporada anterior.

Os dados mostram que nenhum contrato com casa de aposta responde por mais de 13% do orçamento de qualquer clube da elite do futebol nacional. Na média, as receitas oriundas de patrocínio de bets representam cerca de 7% do total arrecadado pelos participantes da primeira divisão. Os números levam em conta as receitas brutas registradas nos orçamentos de 2025 e os valores fixos acertados com as empresas, sem considerar bônus contratuais.

Flamengo, Corinthians e São Paulo no topo da dependência

O Flamengo é o clube com maior exposição relativa ao patrocínio de bet. A Betano paga R$ 268,5 milhões por temporada ao clube carioca, o maior contrato da história do futebol brasileiro. Ainda assim, esse valor representa 12,85% da receita bruta do Rubro-Negro em 2025, que chegou a R$ 2,08 bilhões, o maior faturamento já registrado por um clube no país.

Corinthians e São Paulo são os únicos outros times com representatividade do patrocínio de bet acima de 10% de seus orçamentos brutos: 10,6% e 10,5%, respectivamente. Os dois clubes paulistas também integram o seleto grupo com contratos acima de nove dígitos. A Esportes da Sorte paga R$ 103 milhões fixos anuais ao Corinthians, enquanto a Superbet repassa R$ 113 milhões por ano ao São Paulo.

O Palmeiras recebe R$ 100 milhões fixos por ano da Sportingbet, mas a fatia correspondente ao patrocínio cai para apenas 5,6% do orçamento do clube. Isso porque o Alviverde registrou a segunda maior receita bruta do futebol brasileiro em 2025, de R$ 1,78 bilhão. Para todos os demais clubes, com exceção do trio Flamengo, Corinthians e São Paulo, nenhum contrato de bet ultrapassou 8% da receita bruta em 2025. Entre os times com acordos vigentes, Botafogo (3,8%) e Remo (3,6%) são os que apresentam menor dependência.

Clubes sem bets nas camisas

Bahia, Grêmio e Internacional perderam receitas de casas de apostas nesta temporada após romperem com suas antigas patrocinadoras máster. Na Série A, Athletico-PR e Coritiba também deixaram de contar com o patrocínio das bets que os acompanharam na segunda divisão em 2025. Bragantino e Mirassol são exemplos de equipes que optaram por empresas de bebidas como patrocinadoras estampadas em suas camisas.

 

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