51% dos apostadores esportivos nos EUA usam ganhos para pagar contas

Mais da metade dos apostadores esportivos dos Estados Unidos aposta para pagar contas, segundo pesquisa divulgada pela U.S. News. O levantamento ouviu 1.200 apostadores e identificou que 51% recorrem às apostas com o objetivo de cobrir despesas cotidianas.
A pesquisa foi conduzida entre terça-feira (31/8) e sexta-feira (3/9) de 2026. O fenômeno reflete um padrão de comportamento financeiro preocupante: para parcela expressiva dos apostadores, a atividade deixou de ser entretenimento e passou a funcionar como estratégia de complementação de renda, algo que também se observa no Brasil.
Segundo pesquisa do Datafolha, que ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios do país entre os dias 8 e 9 de abril, entre os usuários de plataformas de apostas e cassinos online no Brasil (pergunta feita aos 209 apostadores em bets), 46% afirmam que a prática tem como objetivo obter renda extra para auxiliar no pagamento de contas. Cinco por cento do total de entrevistados afirmam que já apostaram com o objetivo de conseguir uma renda extra para ajudar a pagar as contas.
Entre os entrevistados, mais de 20% afirmaram usar os ganhos para cobrir aluguel ou parcelas de financiamento imobiliário. Outros 18% apostam para quitar dívidas no cartão de crédito, e mais 18% usam os recursos para despesas inesperadas. Mais de 5% disseram recorrer às apostas para pagar empréstimos estudantis, enquanto 2% utilizam os valores para cobrir mensalidades de cursos.
Endividamento e controle
Cerca de 20% dos participantes declararam ter dívidas em aberto decorrentes das apostas, índice inferior aos 30% registrados no levantamento anterior. Segundo a U.S. News, esses apostadores relatam débitos abaixo de US$ 1.000. Ainda assim, 22% dos entrevistados afirmaram ter preocupação com o controle sobre o próprio comportamento de jogo.
Quase metade dos apostadores, 45%, já tomou dinheiro emprestado para apostar. Entre as formas de crédito utilizadas, 23% recorreram ao adiantamento em dinheiro pelo cartão de crédito, 21% pediram empréstimos a amigos, 13% usaram crédito pessoal e 11% recorreram a empréstimos de curto prazo com juros elevados.
Impacto financeiro
Metade dos entrevistados disse que o valor médio por aposta é inferior a US$ 25. Entre os apostadores com renda de pelo menos seis dígitos anuais, 61% apostam semanalmente e desembolsam ao menos US$ 25 por entrada. No total, 57% dos participantes afirmaram apostar toda semana, índice próximo ao registrado no estudo anterior.
Sobre os efeitos nas finanças pessoais, 17% dos apostadores avaliaram que a prática prejudica sua situação econômica, enquanto 34% a consideram benéfica do ponto de vista financeiro. Os demais disseram não perceber impacto. Vários entrevistados relataram que as apostas causaram desgaste em relacionamentos ou geraram tensão financeira no ambiente doméstico.
Mercados de previsão em ascensão
A pesquisa também identificou a crescente presença dos chamados mercados de previsão entre os apostadores esportivos. Quarenta e um por cento dos entrevistados já utilizaram plataformas desse tipo, que concorrem com as casas de apostas tradicionais. Mais da metade, 55%, considerou que operar nesses ambientes não difere, na prática, de apostar.
Os esportes são o principal mercado negociado nessas plataformas, mas 45% dos participantes já fizeram transações ligadas a eventos de atualidade e 36% compraram contratos vinculados a entretenimento ou cultura. No último fim de semana antes da publicação do levantamento, os mercados de previsão movimentaram mais de US$ 8 bilhões em volume de negociações, impulsionados pelos jogos da segunda semana da NFL e da terceira rodada do futebol americano universitário. A Kalshi, principal corretora americana do segmento, registrou volume recorde de US$ 3 bilhões apenas no sábado.
Missouri é o único estado a legalizar as apostas esportivas desde o levantamento anterior. Atualmente, 39 estados e o Distrito de Columbia permitem apostas esportivas online, presenciais ou ambas as modalidades.
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