Pesquisa AtlasIntel: 36% culpam governo Lula por avanço de bets no Brasil

Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira (23/9) aponta que 36% da população brasileira responsabiliza o governo Lula pelo avanço das bets no país. O levantamento ouviu 5.015 eleitores de todo o Brasil entre os dias 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.
A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04739/2026 e publicada pela VEJA, também mede a percepção dos brasileiros sobre os danos causados pelas plataformas de apostas e o apoio a medidas de restrição ao setor. Os resultados indicam uma visão predominantemente negativa da população em relação às bets.
Quem os brasileiros culpam pelas bets
Na percepção dos entrevistados, o governo Lula lidera o ranking de responsabilidade pela expansão das apostas online no país, com 36%. O governo Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 25,4% das menções. O Congresso Nacional é apontado por 16,5%. Outros resultados da pergunta:
⇒ Não sei: 15,0%
⇒ Nenhum: 6,4%
⇒ STF: 0,7%
Esse cenário contrasta com a linha do tempo legal do setor. As bets foram autorizadas e legalizadas no Brasil ao final do governo Michel Temer, em 2018. A legislação previa um prazo de até quatro anos para que as regras de operação fossem regulamentadas, o que não ocorreu. A omissão se estendeu ao governo seguinte; a ausência de regulamentação no período Bolsonaro inviabilizou a fiscalização do mercado e permitiu a expansão das plataformas. Foi o governo Lula III que sancionou, no final de 2023, a lei que estruturou a taxação, as regras de operação e a regulamentação das empresas do setor, determinando o pagamento de impostos sobre suas atividades.
Percepção de danos e apoio a restrições
A avaliação dos entrevistados sobre os efeitos das apostas online é amplamente negativa. Questionados se as bets trazem mais benefícios ou prejuízos, os brasileiros responderam:
⇒ Somente prejuízos: 59,9%
⇒ Mais prejuízos: 28,6%
⇒ Não sei: 4,9%
⇒ Ambos por igual: 5,7%
⇒ Mais benefícios: 0,2%
⇒ Somente benefícios: 0,7%
A rejeição ao setor se reflete também no apoio a medidas de controle. Segundo o levantamento, 84% dos entrevistados são favoráveis a que as empresas paguem mais impostos, 79% apoiam a limitação de publicidade e 75% defendem a proibição das bets no país. Além disso, 66% afirmam que menores de 18 anos têm acesso facilitado às plataformas [Nota do editor: esse percentual se refere a sites clandestinos porque nas plataformas regulamentadas é proibido o acesso de menores de idade através do sistema de KYC], e 88% consideram que as apostas não podem ser vistas como forma de complemento de renda.
Contestação da indústria
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) questionou as conclusões do levantamento. Para a entidade, o debate não deveria se limitar à alternativa proibir ou não proibir as bets, mas sim contemplar o fortalecimento da regulação, a ampliação da fiscalização e a melhoria dos mecanismos de proteção aos apostadores.
A ANJL argumenta que a pesquisa não apresentou aos entrevistados um dado central para a tomada de decisão: a dimensão do mercado ilegal de apostas. O Tribunal de Contas da União (TCU) estima que entre 41% e 51% do volume total de apostas no Brasil esteja no mercado clandestino, o que pode representar movimentação de até R$ 40 bilhões por ano. Segundo a associação, avaliar uma eventual proibição sem discutir para onde migraria a demanda atualmente no mercado regulado torna a análise incompleta.
A entidade defende que um debate responsável com a sociedade deve apresentar todas as alternativas e seus respectivos custos: a proibição ou o aperfeiçoamento da regulação combinado com o combate ao mercado clandestino, que inclui crimes como lavagem de dinheiro e evasão fiscal.


