Flávio explora bets para atacar Lula e reduzir rejeição entre as mulheres

Apostas I 24.09.26

Por: Magno José

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Flávio Bolsonaro é contra PL dos jogos, mas frequenta cassinos nos EUA
Senador usa tema de apostas on-line para reduzir rejeição entre eleitorado feminino na reta final do 1º turno. Estratégia busca associar petista à expansão do setor para atrair eleitoras insatisfeitas com prejuízos financeiros (Foto: Agência Senado)

Senador usa tema de apostas on-line para reduzir rejeição entre eleitorado feminino na reta final do 1º turno. Estratégia busca associar petista à expansão do setor para atrair eleitoras insatisfeitas com prejuízos financeiros

Flávio Bolsonaro (PL) passou a usar o tema das apostas on-line como instrumento de ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do primeiro turno. A estratégia visa, ao mesmo tempo, associar o petista à expansão das bets e reduzir a rejeição do candidato entre o eleitorado feminino.

Segundo o Metrópoles, aliados de Flávio avaliam que os prejuízos financeiros causados pelos jogos atingem com força as mulheres, sobretudo quando as perdas comprometem o orçamento familiar. O entorno do senador aposta no tema para diminuir a resistência entre as eleitoras, identificada como uma das principais dificuldades da campanha.

Na quarta-feira (23/9), Flávio chamou Lula de “pai do tigrinho” durante uma transmissão ao vivo. O candidato afirmou que pretende extinguir os cassinos virtuais caso seja eleito, incluindo jogos como o “tigrinho”, mas indicou que as apostas esportivas poderiam continuar permitidas por apresentarem, segundo ele, “alguma forma de controle”.

“Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho. É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado”, declarou o senador.

Contexto regulatório das apostas

A ofensiva de Flávio coincide com a discussão, no governo federal, de uma medida provisória para restringir a jogatina on-line. Lula ainda avalia o alcance da proposta; uma das possibilidades inclui as apostas esportivas, enquanto outra concentra as restrições nos cassinos e demais jogos virtuais. Aliados do presidente indicam que o anúncio pode ocorrer próximo à votação de 4 de outubro.

O candidato do PL tem procurado vincular o crescimento das apostas à gestão petista e acusado o governo de fiscalização insuficiente do setor. “Lula fica fingindo que não tem responsabilidade, mas o cassino on-line foi regulamentado no governo dele. Se compararmos a quantidade de apostadores no fim do governo Bolsonaro com a de agora, veremos que esse número quase dobrou”, afirmou Flávio.

A autorização para apostas de quota fixa, porém, é anterior ao atual governo. A legalização dessa modalidade foi sancionada em 2018, na gestão de Michel Temer (MDB), com a definição das regras de funcionamento deixada para momento posterior. Em 2023, Lula sancionou a lei que passou a regular e tributar as apostas on-line e incluiu os cassinos virtuais entre as modalidades permitidas; a fiscalização ficou sob responsabilidade do Ministério da Fazenda.

Rejeição às bets e disputa no primeiro turno

O tema chega à campanha com forte rejeição popular. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23/9), três em cada quatro entrevistados se declararam favoráveis à proibição das bets. Outros 60% afirmaram enxergar apenas efeitos negativos da atividade para a sociedade.

A pesquisa Quaest sobre o primeiro turno, divulgada na segunda-feira (21/9), registrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. No levantamento da semana anterior, os percentuais eram de 36% para o petista e 31% para o senador. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%; a diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Para aliados de Flávio, ultrapassar Lula até o primeiro turno teria efeito sobre a formação de apoios para um eventual segundo turno, especialmente entre partidos do Centrão e grupos que ficarem fora da corrida presidencial.

Agenda no Sudeste

Nos próximos dias, Flávio deve concentrar a agenda no Sudeste, região que reúne cerca de 66,6 milhões de eleitores, o equivalente a aproximadamente 42% do eleitorado brasileiro. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país; Minas Gerais ocupa a segunda posição e o Rio de Janeiro, a terceira.

Estão previstos compromissos em Minas Gerais nesta quinta-feira (24/9) e passagens por São Paulo e Rio de Janeiro entre a sexta-feira (25/9) e o sábado (26/9). No domingo, o candidato deve ir a Sergipe pela manhã e a Goiânia à tarde. São Paulo volta ao roteiro na segunda-feira (28/9).

A campanha também trabalha com a previsão de uma motociata na capital paulista em 3 de outubro, véspera da votação e último dia em que a legislação eleitoral permite esse tipo de ato. O trajeto ainda está em definição.

 


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