Governo prepara monopólio das apostas na Caixa? Cúpula da Caixa Loterias viaja ao Uruguai na semana da proibição das bets

Apostas I 30.09.26

Por: Magno José

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BNLData 481
Viagem para conhecer a operação estatal uruguaia de apostas de quota fixa ocorreu na semana do anúncio da MP e dias depois de Lula dizer ao presidente Yamandú Orsi, em Nova York, que queria conhecer a experiência do Uruguai

Na mesma semana em que o governo anunciou a Medida Provisória que proíbe as apostas de quota fixa no Brasil, a cúpula da área de loterias da Caixa Econômica Federal estava em Montevidéu para conhecer a operação estatal de apostas do Uruguai.

Despacho do presidente da Caixa publicado nesta terça-feira (29) no Diário Oficial da União autoriza o afastamento do país de três executivos: Gabriel Antunes Hess, superintendente nacional; Tiago Cordeiro de Oliveira, diretor executivo; e Renato Silva Siqueira, diretor-presidente da Caixa Loterias S/A. Segundo o despacho, o grupo fez uma “visita institucional à empresa de Apostas de Quota Fixa do Governo do Uruguai” entre 24 e 26 de setembro, com ônus para a Caixa.

O ato foi assinado em 24 de setembro, mas só foi publicado depois do retorno da comitiva. No dia 25, enquanto os executivos estavam no Uruguai, o governo anunciava em São Paulo a MP que extingue o mercado regulado.

A viagem ocorreu três dias depois do encontro de Lula com Orsi, em 21 de setembro, noticiado pelo BNLData.

A hipótese do monopólio

Uma fonte do mercado ouvida pelo BNLData afirma que o presidente pode estar preparando uma surpresa para o setor: transferir a exploração das apostas de quota fixa à Caixa Econômica Federal, por meio da Caixa Loterias, em regime de monopólio.

Caixa já tem outorga e operadora contratada

A hipótese ganha peso pela situação da própria Caixa. O banco pediu autorização à Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA/MF) e pagou a outorga de R$ 30 milhões. Também realizou licitação, vencida pela Playtech, para contratar sua operadora tecnológica. Mesmo assim, nunca entrou em operação. Segundo apurou o BNLData, a direção do banco entendeu que operar bets seria um contrassenso diante do discurso do presidente da República contra o setor.

Com a MP, a proibição também alcança a Caixa, e um eventual monopólio estatal exigiria uma nova alteração legal. Mas a Caixa é hoje o único agente com autorização paga e estrutura tecnológica contratada para assumir o mercado.

Um modelo que não funciona

Como o BNLData mostrou em 21 de setembro, o Uruguai tem uma única plataforma autorizada, a Supermatch, operada sob concessão e supervisão estatal. Ela explora apenas apostas esportivas de quota fixa. O país não tem cassino online nem outros jogos online autorizados.

O resultado não recomenda o modelo. O diretor da Dirección Nacional de Loterías y Quinielas estimou em cerca de US$ 700 milhões por ano o faturamento do mercado ilegal de jogos no país. Enquanto isso, a Supermatch movimenta entre US$ 30 mil e US$ 35 mil por dia em dias normais. O país tem cerca de 3,4 milhões de habitantes, ante os 25,5 milhões de brasileiros que usaram plataformas autorizadas em 2025.

O cenário que preocupa o setor

O roteiro temido por operadores começa pela retirada das empresas privadas autorizadas, sem previsão de devolução das outorgas. Segue com a expansão do mercado ilegal, que o BNLData vem registrando desde o anúncio da proibição. Termina com a apresentação da Caixa como alternativa estatal e “segura” para oferecer o produto.

Além da MP, o setor enfrenta ação da AGU que cobra cerca de R$ 1 bilhão de 17 operadoras.

Outro lado

À coluna Bela Megale do Globo Online, integrantes da cúpula da Caixa garantiram que o encontro estava agendado antes da decisão do presidente Lula de proibir as bets no Brasil, ressaltando caráter institucional e de busca por conhecimento sobre modelos de regulação robustos usados no exterior.

Em nota, a Caixa disse que, “por meio da subsidiária CAIXA Loterias, analisa constantemente, de forma responsável e alinhada ao ambiente regulatório, o mercado de loterias”. Afirmou que por essa razão “realiza com frequência visitas institucionais e participação em eventos para acompanhar aspectos estratégicos, regulatórios e de governança do setor”. Disse ainda que o banco reforça que “suas decisões estratégicas observam critérios técnicos, legais e de sustentabilidade”.

 

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