Governo Lula adia debate sobre bets no futebol para depois das eleições

Blog do Editor I 30.09.26

Por: Magno José

Compartilhe:
Bets sob ameaça: o que uma MP pode custar ao futebol brasileiro — e à sua hegemonia continental 2
Negociações com empresas de apostas e clubes são proteladas para evitar repercussão política antes do primeiro turno, marcado para domingo

Integrantes do governo Lula que participam das negociações entre empresas de bets e clubes de futebol pretendem adiar a discussão para depois do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4/10). A estratégia é evitar que o tema ganhe maior repercussão política às vésperas da votação.

Segundo a Coluna da Milena Teixeira, no Metrópoles, a decisão de protelar o debate veio após uma série de tensões; o presidente assinou, na semana passada, medida provisória para proibir as apostas de quota fixa no Brasil, e os clubes reagiram chegando a ameaçar uma paralisação do Brasileirão em protesto.

A possibilidade de uma interrupção do campeonato preocupa o governo. A avaliação de auxiliares do presidente é de que Lula deve evitar, neste momento, ampliar o debate público sobre a questão para não transformá-la em um tema politicamente sensível nos dias que antecedem a eleição.

Reunião cancelada e boicote dos clubes

Uma reunião entre dirigentes de clubes e a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) havia sido agendada para a terça-feira (29/9), mas foi cancelada após um boicote das equipes. O encontro aconteceria com os ministros da Fazenda, Dario Durigan; do Esporte, Paulo Henrique; e do Planejamento, Bruno Moretti.

O cancelamento não surpreendeu os auxiliares do petista. Já havia sinais de insatisfação dos clubes com a medida, e parte do governo trabalhava com a expectativa de que apenas equipes das Séries B e C comparecessem. A avaliação no governo é de que as empresas de bets pressionaram os dirigentes a não comparecer ao encontro.

Lula mantém posição pública

Apesar da estratégia de adiar as negociações, Lula continuará defendendo publicamente a medida. O presidente já declarou que o futebol brasileiro “sempre viveu sem as bets” e sustenta que o fim das plataformas de apostas esportivas não provocará prejuízos ao esporte.

Aliados do presidente também utilizam pesquisas internas para justificar a postura. Um levantamento do PT, que analisou 112 mil ocorrências nas plataformas digitais, apontou que 76% das manifestações foram classificadas como positivas para o governo em relação à proibição das bets.

 

Paybrokers - 728 x 90Paybrokers - 728 x 90 1

Compartilhe: