Pix registra queda de 10% após proibição de bets esportivas no Brasil

Apostas I 30.09.26

Por: Magno José

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Bets levaram 15% do volume transacionado no Pix de pessoas para empresas no 1º semestre
Transações diminuíram entre 26 e 28 de setembro, indicando impacto da medida provisória nas movimentações financeiras (Foto Ascom Banco Central)

O número de transações realizadas pelo Pix caiu cerca de 10% nos três dias seguintes à publicação da medida provisória (MP) que proibiu as apostas esportivas on-line no Brasil. A queda foi registrada entre sábado (26/9) e segunda-feira (28/9), com base em dados do Banco Central.

O recuo reflete, para parte da indústria bancária, a dimensão do impacto que as bets exerciam sobre o fluxo financeiro das famílias, especialmente de baixa renda. O setor vê a proibição com bons olhos, ainda que haja críticas à forma como o governo conduziu a decisão.

Números do Banco Central

No sábado (26/9), o volume de transações com Pix somou 229,6 mil, recuo de 11% ante a média dos quatro sábados anteriores, segundo o Banco Central. No domingo (27/9), as operações chegaram a 165,9 mil, com queda de 12% na mesma base de comparação. Na segunda-feira (28/9), as transações atingiram 213 mil, retração de 7,4%. No acumulado dos três dias, o declínio foi de 10%, sempre em relação à média dos mesmos intervalos nas quatro semanas precedentes.

Os números se referem ao total de transações, não ao volume financeiro movimentado.

Reação do setor financeiro

Uma liderança do setor bancário pontuou que a queda no Pix não pode ser atribuída exclusivamente à proibição das bets, mas avaliou que os dados “dão uma dimensão do problema” e classificou a situação como “uma questão de saúde pública”. Um banqueiro de uma instituição de médio porte afirmou que considera a decisão do governo acertada e disse não ter simpatia pelas apostas esportivas em nenhum sentido.

O banco Citi estimou que mais de 40 milhões de brasileiros já movimentaram recursos nessas apostas, o que representou cerca de R$ 20 bilhões em receita bruta apenas no primeiro semestre de 2026. Na avaliação do banco, a MP “poderia deixar uma renda disponível mais elevada para as famílias, o que se traduziria em melhor qualidade dos ativos para os bancos, especialmente no segmento de baixa renda”.

Outra fonte do setor reconheceu o potencial efeito positivo da medida sobre a renda das famílias, mas criticou o caminho escolhido pelo governo. Para essa fonte, “as bets fazem muito mal à economia local, ao comércio e não deveriam ter sido reguladas como foram, mas derrubar por MP uma lei e estrutura jurídica que foi discutida por meses no Congresso é complicado”. A crítica aponta para riscos de insegurança jurídica e possíveis repercussões fiscais.

Impacto sobre fintechs

No segmento de fintechs, um interlocutor do setor afirmou que a proibição já era esperada em certa medida. Para ele, “as externalidades negativas se sobrepõem muito às externalidades positivas” em relação aos efeitos das bets para a sociedade. Ele afirmou, porém, que parte das fintechs opera exclusivamente para o setor de apostas, enquanto outras, mesmo sem atuação exclusiva, possuem faturamento relevante nesse nicho, seja na operação do fluxo de apostas, seja em remessas internacionais. Na avaliação dele, “uma mudança abrupta vai trazer impactos econômicos para esse subsegmento”.

 

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