IBJR lança campanha para combater desinformação sobre apostas esportivas

Apostas I 25.10.26

Por: Magno José

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IBJR lança campanha para combater desinformação sobre apostas esportivas 1
Instituto usa uniformes de futebol e placas de publicidade para levar dados ao público e alertar sobre o mercado ilegal após a proibição da quota fixa (Foto: Divulgação/IBJR)

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) lançou a campanha “Aposto que você não sabia” para combater a disseminação de informações falsas sobre o setor de apostas esportivas. A iniciativa utiliza mensagens em uniformes de clubes do futebol brasileiro e em placas de publicidade à beira do campo para levar dados sobre o mercado regulado ao público.

A campanha foi divulgada pelo Poder360 e é ancorada no portal www.apostoquevocenaosabia.com, plataforma mantida pelo IBJR para centralizar dados e realizar checagem de fatos sobre o setor. O instituto reúne as principais empresas do mercado regulado e justifica a ação no contexto da proibição das apostas de quota fixa no país.

“A proibição não fez a procura por apostas desaparecer, só abriu espaço para o mercado ilegal e retirou as proteções de quem aposta. Hoje, muita gente atribui ao mercado regulado problemas que também decorrem do ilegal, e boa parte dos dados e das pesquisas divulgados não faz essa distinção. Dessa forma, o debate se baseia em desinformação, e é isso que a campanha busca combater”, declarou Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR.

Mercado ilegal e perda de arrecadação

A campanha organiza os argumentos do setor em quatro eixos temáticos. O primeiro deles aponta que a proibição não elimina a demanda, mas a redireciona para operadores clandestinos.

Um estudo da LCA Consultoria Econômica, encomendado pelo IBJR, estima que o mercado ilegal representava até 44% do mercado de apostas em 2026, com receitas anuais de até R$ 43,3 bilhões. A arrecadação potencial não recolhida nesse segmento chega a R$ 12 bilhões por ano, segundo a mesma consultoria. Pesquisa do Instituto Locomotiva, também encomendada pelo IBJR, aponta que 50% dos apostadores relataram práticas associadas ao uso de plataformas irregulares.

O segundo eixo da campanha documenta a expansão das apostas ilegais após a proibição. Um levantamento divulgado pela ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) em outubro de 2026 identificou mais de 30 mil links de apostas ilegais ativos no país. Operadores clandestinos usam clones de marcas conhecidas com falsos selos de autorização, domínios de difícil rastreamento, intermediários de pagamento via Pix e CNPJs de fachada para aplicar fraudes financeiras.

Em 2025, a SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas), do Ministério da Fazenda, registrou 1.255 comunicações relacionadas a pessoas com indícios de transferências para empresas não autorizadas, conforme dados citados pelo IBJR.

IBJR lança campanha para combater desinformação sobre apostas esportivas

Proteções extintas e risco fiscal

O terceiro eixo elenca os mecanismos de proteção ao apostador que existiam no mercado regulado e deixaram de vigorar com a proibição. O modelo exigia verificação de identidade com CPF, documento e reconhecimento facial, proibia depósitos por cartão de crédito e criptomoedas e estabelecia limites de depósito e tempo de uso das plataformas. A Plataforma Centralizada de Autoexclusão havia acumulado mais de 1,2 milhão de pedidos voluntários, segundo a SPA. O Sigap (Sistema de Gestão de Apostas) registrou o bloqueio de cerca de 3 milhões de usuários pelo recebimento de benefícios sociais.

O quarto eixo trata do impacto fiscal e econômico da proibição. De janeiro a setembro de 2026, a Receita Federal arrecadou R$ 11,12 bilhões com atividades de exploração de jogos e apostas, alta real de 55% sobre o mesmo período de 2025. Em 2025, as destinações legais das apostas de quota fixa somaram R$ 4,53 bilhões para esporte, turismo, segurança, educação, saúde e outras áreas.

A LCA estima que até R$ 73 bilhões em arrecadação poderão ficar em risco entre 2027 e 2030 caso a proibição se mantenha, considerando um cenário em que toda a demanda atualmente atendida pelo mercado regulado migre para operadores ilegais. O cálculo é o acumulado dos quatro anos e inclui tributos e contribuições específicas do setor. A consultoria também aponta risco jurídico decorrente das 85 outorgas emitidas, avaliadas em R$ 30 milhões cada uma, com validade de cinco anos, o que totaliza R$ 2,55 bilhões em potenciais disputas judiciais. No futebol, os patrocínios do setor superaram R$ 1,1 bilhão em 2025, valor que também está em risco com a proibição.

 

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