Xerife do mercado dos EUA investiga GTech.
RIO – A Gtech divulgou um comunicado nos Estados Unidos sobre as investigações que a Security Exchange Comission (SEC) está fazendo sobre a empresa no Brasil. Segundo a companhia, a investigação não se relaciona a fatos novos, mas às antigas denúncias envolvendo o ex-subchefe da Casa Civil, Waldomiro Diniz, que levaram à abertura de uma ação, pelo Ministério Público Federal no Brasil, investigando as relações da empresa com a Caixa Econômica Federal (CEF). Após ser divulgado que a SEC estava investigando a companhia, a Morgan Stanley rebaixou a classificação das ações da Gtech, que caíram 7,1% em Wall Street nesta quinta-feira. As operações da empresa no Brasil correspondem a 9% de seu faturamento. Abaixo, a íntegra da nota
"A GTche Holdings Corporation forneceu hoje uma atualização sobre acontecimentos recentes no Brasil. A empresa anunciou que recebeu aviso da SEC de que esta aprovou ordem formal de investigação nas questões pré-existentes que a equipe da SEX tem examinado em relação a reportagens da mídia sobre questões de corrupção pública no Brasil. A empresa foi avisada pela equipe da SEC de que a nova ordem não se relaciona a qualquer acontecimento novo ou recente na questão e é rotineira e destinada a dar (à SEC) poderes investigativos caso (a SEC) deseje empregá-los. A SEX também enviou à empresa intimação para produção de certos documentos e arquivos relacionados às operações da GTech no Brasil que é idêntica à solicitação informal anteriormente divulgada de documentos (feita) pela SEC.
A empresa tem cooperado integralmente com todas as solicitações de informação da SEC, as quais requerem a revisão de um volume substancial de documentos, muitos em português, de suas operações brasileiras. A SEC tem expressado sua satisfação com a cooperação da GTech nesta questão.
Uma revisão interna conduzida pela administração, sob a supervisão de diretores independentes da Diretoria da GTech, prossegue. A partir do que foi descoberto pela investigação até o momento, a empresa está confiante em que agiu apropriadamente, e o programa de conformidade da GTech funcionou tal como pretendido.
Em outros acontecimentos relacionados, a GTech foi formalmente notificada de uma ação civil aberta pelo Ministério Público em relação a seus contratos com a Caixa Econômica Federal. Será dada oportunidade à empresa de rever a prova produzida pelos promotores. A empresa reiterou que tem defesas boas e adequadas às acusações feitas na ação, vai se defender vigorosamente e espera um resultado positivo.
Esta ação procura impor reparações iguais a (i) a some de todas as quantias pagas à GTech sob o contrato de 1997 e o contrato de 2000, que é estimado em US$ 650 milhões; (ii) outras determinadas quantias; (iii) menos nossos comprovados custos de investimento; e (iv) punições em potencial. A GTech acredita que os serviços foram prestados sob contratos válidos e viáveis e como tal não espera obrigações materiais resultarem desta queixa.
Como parte da ação civil, a empresa também entrou com recurso à liminar que pôs restrições a transferência ou venda dos ativos da empresa e pôs 30% da receita do contrato com a Caixa sob controle judicial. Espera-se que o tribunal aceite o recurso quando retornar de seu recesso". Toni Marques – O Globo On Line
Xerife do mercado dos EUA investiga GTech. Multinacional, que está envolvida no caso Waldomiro Diniz, tem contrato com a Caixa sob suspeita.
A multinacional GTech, uma das empresas investigadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público no caso Waldomiro Diniz, tem suas operações no Brasil sob investigação formal da SEC (Securities and Exchange Commission), o órgão regulador do mercado financeiro norte-americano. Ex-dirigentes da empresa estão sob suspeita de corrupção.
A SEC investiga as condições do contrato assinado com a Caixa Econômica Federal e que garantiu à multinacional o controle das loterias no país desde 1997. A empresa é responsável pelo processamento de dados das 9.000 lojas lotéricas do país. O contrato, renovado em abril do ano passado, rende cerca de R$ 25 milhões por mês à multinacional e deverá ser renovado parcialmente, antecipou à Folha o presidente da estatal, Jorge Mattoso.
O contrato termina oficialmente em maio de 2005. Segundo a Caixa, será impossível concluir a licitação para substituir a GTech nos próximos dez meses.
Mas a licitação para a prestação de serviços de processamento e transmissão de dados continua suspensa pela Justiça, à espera de uma decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). A liminar foi concedida em 2000 a pedido da GTech. O objetivo da ação era evitar a divisão dos serviços por várias empresas e garantir o monopólio da multinacional.
Os dirigentes da empresa na época da negociação do contrato com a Caixa, Antonio Carlos Lino Rocha e Marcelo Rovai, também respondem a uma ação civil pública por improbidade administrativa apresentada em abril pela procuradora federal Raquel Branquinho. A ação bloqueou parte do faturamento da empresa com a Caixa. Cerca de 10% do faturamento mundial da GTech está concentrado no Brasil. Durante as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o caso Waldomiro Diniz -ex-assessor do ministro José Dirceu (Casa Civil), acusado tráfico de influência-, os dirigentes da GTech negaram terem pago propina com a intenção de renovar o contrato com a Caixa por mais 25 meses.
A GTech do Brasil divulgou nota classificando de "rotineira" a investigação aberta nos EUA pela SEC.Folha de SP – DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


