O Antagonista/Crusoé revelam que com o Centrão a legalização dos jogos avança

Destaque I 27.08.21

Por: Elaine Silva

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Crise econômica provocada pela pandemia fortalece argumentos usados por quem defende a legalização dos jogos, bandeira de Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro

Reportagem da Crusoé desta edição mostra que Ciro Nogueira, ministro da Casa Civil de Bolsonaro, vem trabalhando para aprovar o projeto que libera o jogo no Brasil. E conta com a ajuda de Flávio Bolsonaro, o filho 01. A proposta do líder do Centrão surgiu após uma visita sua a Las Vegas.

“Faz quase oito anos que Ciro Nogueira esteve em Las Vegas, nos Estados Unidos, visitando as instalações da maior rede de cassinos do mundo. O então senador pelo Piauí integrava uma comitiva de parlamentares brasileiros engajados na legalização dos jogos de azar no país. O grupo ouviu da boca do empresário Sheldon Adelson, dono do conglomerado, que ele estaria disposto a investir alguns bilhões de dólares no Brasil caso a proibição em vigor por aqui desde 1946 fosse derrubada.”

Segundo a revista, aliados do governo acreditam que o momento é extremamente favorável ao libera-geral. “A crise econômica provocada pela pandemia fortalece os principais argumentos usados por quem defende a legalização dos jogos: a atração de investimentos estrangeiros, a geração de empregos e o aumento da receita com impostos sobre atividades que nunca deixarem de existir na clandestinidade.”

Defensores dos jogos dizem que o próprio presidente da República já foi convencido de que é possível aprovar a liberação dos cassinos sem perder o apoio dos evangélicos na disputa pela reeleição no ano que vem. Entre os conselheiros ouvidos pelo chefe do Planalto está seu filho 01, o senador Flávio Bolsonaro, que também visitou o império do magnata dos cassinos em janeiro de 2020 em uma “missão oficial” a Las Vegas, junto com o atual ministro do Turismo, Gilson Machado, e outros parlamentares. Na campanha de 2018, Bolsonaro chegou a dizer que cassino no Brasil “serviria para lavar dinheiro” e “destruir famílias”, reproduzindo o discurso das lideranças religiosas.

Aliados do governo acreditam que o momento é extremamente favorável ao libera-geral. A crise econômica provocada pela pandemia fortalece os principais argumentos usados por quem defende a legalização dos jogos: a atração de investimentos estrangeiros, a geração de empregos e o aumento da receita com impostos sobre atividades que nunca deixarem de existir na clandestinidade. “Já passou da hora de acabar com esse faz de conta e de o Brasil parar de exportar jogador. A gente deixa de arrecadar bilhões por causa disso e os brasileiros vão gastar lá fora”, diz o deputado João Bacelar, do PL da Bahia, que defende a liberação de todas as modalidades de jogos.

Embora a conjuntura esteja “extremamente favorável”, como repetem os governistas, Ciro Nogueira precisará de muita habilidade política para conseguir conciliar os inúmeros lobbies envolvendo os jogos e o desgaste político da liberação. Dentro da bancada da jogatina, a pressão é para legalizar tudo de uma vez, o que daria uma espécie de salvo-conduto até mesmo aos bicheiros que hoje agem nas sombras, como contraventores. O presidente da Câmara, Arthur Lira, defende essa autorização mais ampla, abarcando jogo do bicho e casas de bingo. É uma causa antiga da família. O pai dele, o ex-senador Benedito de Lira, chegou a apresentar no passado uma emenda ao projeto de Ciro Nogueira incluindo no pacote da legalização as máquinas caça-níquel. Os defensores da jogatina têm pressa. O plano é fazer o assunto avançar ainda neste ano. O Centrão nunca esteve tão à vontade para tirar da gaveta seus velhos – e polpudos – planos. Leia a íntegra da reporagem na Crusoé.  (O Antagonista)

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