Artigo ‘Contra o jogo’ veiculado no O Globo é complexo de vira-lata

O artigo ‘Contra o Jogo’ do jornalista Carlos Andreazza e veiculado no O Globo desta terça-feira incorpora a visão míope de muitos jornalistas brasileiros sobre a legalização dos jogos.
Usar apenas um estado como referência para condenar o jogo legal no país é um tremendo exercício de futurologia e de ignorância sobre como outros países enfrentaram o jogo não regulado.
Não me canso de repetir, o Estado brasileiro deveria reconhecer o fracasso deste modelo proibitivo. Ao longo de 80 anos, o Brasil tornou-se campeão mundial do jogo ilegal e, enquanto o tema no país é tratado como uma questão de costumes, outros países consideram uma atividade econômica que gera empregos, investimentos e tributos para causas sociais.
O jogo ilegal existe enquanto o legal não existir. O jogo ilegal não é a razão pela qual as pessoas jogam, mas sim pela simples realidade da demanda e oferta, como qualquer outra oportunidade de negócios. Sem leis e regulamentos, os jogos ilegais oferecem ao público em geral os meios para praticar o que desejam, mas, infelizmente, eles criam negócios para o crime. A ilegalidade alimenta a corrupção e crimes e como nos ensina o ministro do STF, André Mendonça: “Onde não há Estado, há crime organizado”.
E tem mais uma coisa. O jornalista Nelson Rodrigues definiu o ‘Complexo de Vira-lata’ como “a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo”, inclusive no jornalismo. Se outros países conseguiram colocar em prática a operação e fiscalização dos jogos e apostas por que o Brasil não conseguirá?


