Bingos conseguem reaver material apreendido em “blitz”

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A juíza do II Juizado Especial Criminal, Maria do Socorro Santiago Andrade Souza, concedeu, ontem, uma liminar favorável ao mandado de segurança impetrado pela Diverbingos Administradora de Eventos S/A, responsável pelos bingos Comércio e Rio Vermelho. A decisão suspende a liminar de busca e apreensão concedida ao Ministério Público, que, no último dia 13, realizou a Operação Sexta-feira 13, quando fechou os dois estabelecimentos, bem como o Bingo Carlos Gomes. Na ação, que ocorreu simultaneamente em 13 estados brasileiros, foram apreendidos documentos computadores, livros contábeis, disquetes, computadores, um cofre e uma arma. Com a autorização judicial, o material foi retomado, ontem, no início da noite.
A suspensão da liminar que garantia a guarda dos bens apreendidos pelo MP deixou revoltados os seis promotores que compõem o grupo de Combate ao Crime Organizado. “A retomada desse material torna inviável o aprofundamento das investigações, pois quaisquer indícios de um possível vínculo entre os bingos e o crime organizado, caso existam, serão apagados”, lamenta o promotor Jânio Braga. Os promotores destacaram ainda que o único estado a participar da operação no qual ocorreu a retomada dos produtos apreendidos foi na Bahia. “Foi uma decisão absurda, sem fundamentação”, acrescentaram.
Os documentos que se encontravam em poder do MP, em sua sede em Ondina, estavam sendo analisados por técnicos da Receita Federal, da Secretaria Estadual da Fazenda e do Ministério Público. “Não podemos revelar o conteúdo do que encontramos”, informa o promotor José Renato Oliva de Matos. Ele destaca, entretanto, que os disquetes e computadores ainda não tinham passado pela perícia técnica. “A ação foi frustrada, porque se tinha algo importante será retirado”, lamenta Matos.
Ele, contudo, destaca que o grupo de Combate ao Crime Organizado continuará atuante. “Isso não vai impedir que continuemos a agir”, garantiu. Na noite de ontem, o grupo se reuniu para decidir que tipo de recurso vai utilizar para tentar reverter a decisão da juíza. Eles têm um prazo de cinco dias para ingressar com o recurso.
Incógnita – O cofre apreendido pelo MP não havia sido aberto e seu conteúdo permaneceu incógnito. O promotor Jânio Braga, entretanto, observou que um outro cofre, de menor porte, localizado no Bingo Carlos Gomes, continha R$60 mil – R$17 mil em espécie e o restante em cheque. No mesmo estabelecimento foi encontrado um revólver calibre 38 sem registro. A arma foi alvo de um termo circunstanciado que resultará numa ação penal por porte ilegal de arma. O revólver foi encaminhado para a 1ª Delegacia de Polícia.
Já o cofre achado no Bingo Rio Vermelho, e que permaneceu lacrado, estava pesando cerca de 400kg e precisou de cinco homens para carregá-lo. Pelas suas dimensões – cerca de um metro de altura -, vazio pesa entre cem quiilos e 150kg. “Não desistiremos. Continuaremos no combate ao crime organizado”, reiterou Matos.
O advogado Eduardo Ribeiro, representante dos bingos, acompanhou a ação da oficial de justiça e evitou fazer maiores comentários. “O Ministério Público está empreendendo seu papel de representante da sociedade e, assim, achou por bem tomar essa medida”, resumiu, destacando sua expectativa de que os bingos venham a ser retirados da contravenção penal. Participam ainda do grupo de Combate ao Crime Organizado os promotores Cícero Ornelas, Airton Juarez Chastinet, Solon Dias Rocha Filho e Oscar Araújo da Silva.
Correio da Bahia – BA – Amélia Vieira

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