Brasil é 2º em temas após bloqueio do governo federal e segue acessível

A Polymarket, plataforma de mercados preditivos proibida de operar no Brasil desde abril de 2026, segue acessível a usuários brasileiros apesar do bloqueio determinado pelo governo federal. Na quinta-feira (10/9), o país chegou ao segundo lugar no ranking de temas em alta da plataforma, atrás apenas de uma partida entre PSV e Sparta Rotterdam.
Conforme apurado por O Globo, uma única negociação vinculada à eleição presidencial brasileira já movimenta US$ 147 milhões, o equivalente a cerca de R$ 750,8 milhões. Até a manhã de quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia como favorito nessa negociação específica. Por volta das 18h, o quadro se inverteu e o candidato Flávio Bolsonaro passou a liderar as apostas.
No site da plataforma, há dezenas de mercados relacionados às eleições brasileiras. Além da disputa presidencial, O Globo identificou apostas sobre eleições para governos estaduais de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais e Amapá.
Bloqueio e suas lacunas
O Ministério da Fazenda informou que a Polymarket está bloqueada no Brasil, assim como as redes sociais a ela vinculadas. A pasta afirmou que o acesso eventual ao site por parte de alguns usuários não significa autorização para a empresa operar no país nem indica que as medidas de bloqueio foram suspensas.
O bloqueio foi determinado pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) e encaminhado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que notificou mais de 20 mil prestadores de serviços de telecomunicações para implementar a medida. Como o cumprimento depende de cada provedor individualmente, um mesmo endereço pode ficar indisponível em momentos distintos.
“Mesmo quando a página ainda pode ser aberta, não é possível realizar apostas nem efetuar depósitos”, afirmou o ministério. “A SPA monitora permanentemente a efetividade das medidas e eventuais tentativas de contornar as restrições, adotando novas providências sempre que necessário para impedir a oferta irregular de apostas no país.”
A Anatel bloqueou quase 30 sites de mercados preditivos, entre eles a Polymarket e a Kalshi, que tem uma brasileira entre as fundadoras.
Ainda assim, usuários no país conseguem acessar essas plataformas de duas formas. Uma delas é o uso de redes virtuais privadas (VPNs), que mascaram a localização da conexão. A outra é a demora na implementação homogênea do bloqueio por provedores regionais e de pequeno porte, segundo Paulo Cesar Costa, CEO da PH3A, empresa especializada em soluções antifraude.
O Conselho Monetário Nacional (CMN) proibiu, em abril, instituições financeiras e de pagamento de oferecerem serviços relacionados a mercados de apostas e previsões não autorizados pela legislação brasileira. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirmou não poder falar sobre casos concretos; em 2024, a corte aprovou resolução que explicita a proibição de apostas cujo objeto envolva o resultado de eleições.
Restrições internacionais
A Polymarket enfrenta restrições em outros países além do Brasil. Na Hungria, o governo bloqueou o acesso à plataforma em janeiro de 2026 por falta de licença para exploração de jogos de azar. Em Portugal, o site foi bloqueado após as eleições presidenciais, também por ausência de autorização para operar. Na Itália, Polônia e Bélgica, plataformas de mercados preditivos podem ser bloqueadas se operarem sem autorização ou deixarem de cumprir normas locais.
Nos Estados Unidos, mercados preditivos são permitidos desde que submetidos à regulação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC). A Kalshi opera como uma bolsa de contratos; a Polymarket voltou ao mercado americano em 2025 sob regras de conformidade.

