Pesquisa mostra que 83,5% de beneficiários de programas sociais na Grande São Paulo nunca apostaram em bets

Apostas I 10.09.26

Por: Magno José

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Pesquisa mostra que 83,5% de beneficiários de programas sociais na Grande São Paulo nunca apostaram em bets
Levantamento realizado pela Cruz Consulting também aponta migração para plataformas ilegais entre pessoas excluídas ou que solicitaram autoexclusão. Para 68,1%, a posição do candidato sobre autorizar ou não as bets não mudaria sua escolha eleitoral

Pesquisa realizada pela Cruz Consulting com beneficiários de programas sociais do governo federal nas 39 cidades da Região Metropolitana de São Paulo mostra que 83,47% dos entrevistados nunca utilizaram plataformas de apostas esportivas. O levantamento, encomendado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), foi realizado nos dias 3 e 4 de setembro e divulgado nesta quarta-feira (9).

De acordo com os dados, 12,63% afirmaram que já apostaram, mas não utilizam atualmente as plataformas, enquanto 3,9% disseram que ainda fazem uso das bets. Entre os entrevistados que já apostaram, 5,49% afirmaram ter sido bloqueados pelo governo federal e 21,97% disseram ter solicitado voluntariamente a autoexclusão das plataformas de apostas esportivas.

O levantamento também chama atenção para um possível efeito da exclusão de usuários: 20% dos entrevistados que foram retirados das plataformas legais, seja por bloqueio governamental ou por iniciativa própria, afirmaram ter migrado para bets clandestinas, que operam sem autorização do Ministério da Fazenda.

Para o presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, os resultados reforçam a necessidade de que o debate sobre apostas seja orientado por dados e considere também a dimensão do mercado ilegal. “Quando falamos de endividamento, precisamos observar os números com cuidado e evitar generalizações. O endividamento das famílias brasileiras é um fenômeno complexo, que não pode ser automaticamente atribuído às apostas. A pesquisa mostra que a grande maioria dos beneficiários de programas sociais entrevistados nunca utilizou plataformas de apostas. Ao mesmo tempo, o dado sobre migração para sites ilegais entre pessoas excluídas ou que solicitaram autoexclusão merece atenção, porque mostra a importância de combinar mecanismos de proteção ao apostador com o combate permanente às plataformas clandestinas”, afirma Plínio.

A pesquisa investigou também a relação entre a posição dos candidatos à Presidência da República sobre a autorização das apostas e a intenção de voto dos entrevistados que já apostaram ou ainda apostam. Para 68,1%, a posição do candidato sobre autorizar ou não as bets não mudaria sua escolha eleitoral.

O resultado indica que, para a maioria dos entrevistados que já fizeram apostas, o posicionamento dos candidatos sobre a regulamentação das apostas não seria determinante para a decisão de voto.

Para o presidente da ANJL, os dados contribuem para qualificar o debate público sobre a regulamentação do setor, especialmente em um momento em que proteção ao consumidor, combate ao mercado ilegal e responsabilidade na atividade estão entre os principais pontos da discussão.

 


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