Estudo global da SOFTSWISS projeta receita de € 461,8 bilhões para o iGaming até 2031 e aponta impacto de IA, pagamentos digitais, cibersegurança e regulação

Em um momento de profundas mudanças para o setor de iGaming no Brasil, o debate sobre regulação, combate ao mercado ilegal e proteção dos consumidores ganha ainda mais relevância diante das experiências observadas em outros países. É nesse contexto que o setor global de iGaming vem se consolidando como um campo de testes para tecnologias emergentes, especialmente a inteligência artificial (IA), e antecipando transformações que devem alcançar fintechs, empresas de software como serviço (SaaS), comércio eletrônico e outros negócios digitais. Essa é uma das principais conclusões do Relatório de Tendências de iGaming 2027, produzido pela SOFTSWISS em parceria com a WorldGaming, anteriormente Clarion Gaming.
Em sua quinta edição consecutiva, o estudo reúne respostas de mais de 500 profissionais de iGaming de diversos países, contribuições de mais de 65 especialistas e dados de mercado. O relatório também incorpora informações de empresas como Amazon Web Services (AWS), Pentasia, BGaming e FinteqHub. O relatório está disponível no link: https://view.publitas.com/softswiss/2027-tendencias-de-igaming-jklh5f.
A análise aborda os impactos da IA, da cibersegurança, dos meios de pagamento, da regulamentação e das transformações no mercado de trabalho em uma indústria marcada pela alta demanda operacional e pela forte supervisão regulatória.
Mercado deve superar € 460 bilhões até 2031
De acordo com dados da H2 Gambling Capital citados no relatório, o mercado global de iGaming deve alcançar € 307,3 bilhões em receita bruta de jogos (GGR) em 2026. O setor ocupa a quarta posição em um benchmark que compara oito segmentos relevantes de negócios digitais, atrás apenas de e-commerce, esportes e cinema/streaming.
Após registrar crescimento anual composto de 29,95% entre 2019 e 2026, o iGaming deve avançar cerca de 9% ao ano entre 2027 e 2031. A projeção é que o mercado alcance aproximadamente € 461,8 bilhões em GGR até 2031.
Combate ao mercado ilegal: experiências internacionais apontam caminhos
O relatório reúne experiências de diferentes mercados que poderiam servir de referência para o Brasil, especialmente no enfrentamento aos operadores ilegais, um desafio que permanece mesmo após a proibição do mercado regulado, na semana passada. O estudo analisa o bloqueio de pagamentos por meio de empresas de telecomunicações, adotado no Cazaquistão, e o monitoramento ativo de domínios, utilizado na África do Sul, como mecanismos para reduzir o acesso a plataformas não licenciadas.
Na avaliação do presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), Plínio Lemos Jorge, além dos impactos sobre as empresas que cumpriram as exigências estabelecidas pela regulamentação, o novo cenário gera insegurança jurídica e compromete investimentos realizados no Brasil.
“Ou seja, o Brasil perde em todos os sentidos. Teremos milhões de pessoas que não vão deixar de jogar. Simplesmente vão passar a acessar esses sites clandestinos, que não recolhem nem um tributo sequer. As camadas sociais mais vulneráveis, que são justamente as que o governo federal quer proteger, ficam ainda mais desprotegidas. Afinal, essas plataformas não oferecem nenhum mecanismo de proteção à saúde financeira e à saúde mental, como o bloqueio de beneficiários de programas sociais ou ferramentas de autoexclusão”, disse.
O relatório também destaca a evolução do compliance em tempo real. Em vez de depender apenas de relatórios periódicos, reguladores e empresas avançam para o compartilhamento contínuo de dados, tendência que deve ser acompanhada de perto pelos agentes do mercado brasileiro.
iGaming alcança maior nível de maturidade digital
O Índice de Maturidade Digital da SOFTSWISS atribuiu ao iGaming global a nota 4,67 em uma escala de 5, a maior entre os oito setores avaliados.
O resultado está associado à adoção de IA, à infraestrutura orientada para dispositivos móveis, à aquisição digital de clientes, à inovação em pagamentos, ao uso de tecnologias regulatórias — conhecidas como RegTech — e à tomada de decisão baseada em dados. Para a diretora adjunta de Marketing da SOFTSWISS, Alexandra Kavelich, o iGaming deve ser analisado como parte de um movimento mais amplo da economia digital.
“O iGaming é frequentemente visto como um segmento especializado de entretenimento, mas a tecnologia por trás dele enfrenta muitos dos mesmos desafios de qualquer negócio digital: processar transações em tempo real, proteger consumidores, detectar fraudes, personalizar produtos e operar em múltiplos mercados regulados. A diferença está na velocidade e na intensidade com que essas pressões convergem. Isso torna o iGaming um indicador do que pode vir a seguir para fintechs, SaaS, e-commerce e para a economia digital em geral. As tecnologias testadas em escala na nossa indústria hoje tendem a se tornar a infraestrutura operacional padrão de outros setores amanhã.”
IA transforma organizações, segurança e regulação
O relatório aponta que o domínio de ferramentas de IA passa a ser uma competência básica em áreas como produto, marketing, tecnologia e operações. Ao mesmo tempo, as empresas trabalham com estruturas mais enxutas e criam funções ligadas à gestão, à engenharia e à criação com IA.
Essa transformação também redistribui responsabilidades. O estudo indica que posições dedicadas de Chief Product Officer (CPO) podem se tornar menos frequentes à medida que as decisões sobre produtos passam a ser compartilhadas entre tecnologia, marketing e alta liderança.
A cibersegurança aparece como outro ponto crítico. A IA tornou ataques de personificação e engenharia social mais convincentes e escaláveis. Dados da Qrator Labs citados no relatório mostram que as fintechs responderam por 44,2% dos incidentes de ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) registrados no primeiro trimestre de 2026. O setor de apostas também esteve entre os três alvos mais frequentes.
Diante desse cenário, o relatório recomenda maior integração entre cibersegurança, prevenção a fraudes, pagamentos, prevenção à lavagem de dinheiro (AML) e verificação de identidade. A conexão entre esses sinais é necessária para evitar análises fragmentadas e identificar ataques com maior rapidez.
A terceira frente de transformação está na relação entre IA, regulação e descoberta de marcas pelos consumidores. Enquanto as empresas incorporam a tecnologia às suas operações, os reguladores também ampliam o uso de ferramentas de supervisão baseadas em IA, conhecidas como SupTech. Segundo pesquisas citadas no estudo, 85% das autoridades do setor financeiro em economias avançadas já utilizam esse tipo de tecnologia.
Assistentes de IA ampliam debate sobre responsabilidade
O relatório também aborda os riscos associados ao uso público de ferramentas generativas. Uma investigação realizada em março de 2026, mencionada no estudo, apontou que assistentes como ChatGPT, Gemini, Copilot e Grok poderiam ser induzidos a recomendar cassinos on-line não licenciados.
Embora ainda não exista uma obrigação formal para que assistentes de IA verifiquem a situação legal de uma empresa antes de recomendá-la, o levantamento indica que tende a crescer a pressão por mecanismos de filtragem, supressão de resultados e verificação de licenças.
Em conjunto, os achados sugerem que a próxima etapa da adoção de IA será tão organizacional e regulatória quanto tecnológica. Como pagamentos, verificação de identidade, cibersegurança e regulação já operam de forma conectada no iGaming, o setor oferece um ambiente prático para observar transformações que devem avançar gradualmente sobre fintechs, SaaS, e-commerce e outros mercados digitais.
Sobre o relatório
O Relatório de Tendências de iGaming 2027 foi produzido pela SOFTSWISS em parceria com a WorldGaming. A quinta edição combina pesquisa com profissionais do setor, entrevistas com especialistas, dados proprietários e fontes secundárias de mercado.


