Cassinos de Portugal retomam as operações de jogos 28% abaixo de 2019, mas 858% acima do mesmo período de 2021

Cassino I 15.04.22

Por: Magno José

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Em 2019, os casinos geraram receitas de 315,2 milhões de euros, que caíram para 157,8 milhões em 2020 e desceram para 141,7 no ano passado

Os 11 casinos portugueses geraram receitas de jogo de 53,3 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, valor que traduz um aumento de 858% face a igual período de 2021. Mas esta comparação não ilustra a realidade da atividade, penalizada nestes últimos dois anos pelos confinamentos e restrições devido à pandemia. É que face aos três primeiros meses de 2019, exercício sem sombra de covid-19, o negócio apresentou um decréscimo de 28%. Setor já admite que a sorte não vai rodar em 2022.

“O primeiro trimestre de 2022 traduz-se numa comparação aparentemente muito favorável com o mesmo período do ano anterior, mas é preciso ter em mente que, em 2021, os casinos apenas funcionaram escassos dias em janeiro, tendo estado encerrados durante a totalidade dos meses de fevereiro e março”, com exceção da sala de máquinas da Madeira, sublinha fonte oficial da associação do setor. O exercício de 2021 ficou marcado por uma quebra de 55% nas receitas face ao ano pré-pandêmico e, agora, já sem encerramentos ou restrições de horários, “ainda só conseguimos reduzir esse decréscimo para -28,05%” face ao homólogo de 2019, observa.

No primeiro trimestre deste ano, apenas o casino de Troia conseguiu gerar receitas de jogo superiores às obtidas em igual período de 2019. A sala explorada pela Oxy Capital apresentou um crescimento de 50,2%, para 1,8 milhões de euros. Mas os ‘gigantes’ do jogo em Portugal não tiveram a mesma sorte. A sala de Lisboa, que desde a sua abertura, em 2006, lidera as apostas em jogo de fortuna e azar no país, apresentou este trimestre uma quebra de 28%, totalizando 14,6 milhões, face ao homólogo de 2019. O casino do Estoril registrou uma queda ainda mais acentuada, superior a 32%, fixando-se os proveitos em quase 10 milhões. Mais a norte, Espinho apurou 8,6 milhões, uma quebra de 26,5% quando comparado com o primeiro trimestre de 2019.

Numa análise por concessionárias, verifica-se que o grupo Estoril Sol (explora os casinos de Lisboa, Estoril e Póvoa de Varzim) contabilizou proveitos de 32,2 milhões entre janeiro e março deste ano, o que traduz uma quebra de 30% face a igual período de 2019. A Solverde (que detém as salas de Espinho, Chaves, Praia da Rocha, Vilamoura e Monte Gordo) registrou 15,2 milhões, menos 26%, tendo por base o mesmo comparativo. A Amorim Turismo, que responde pela sala da Figueira da Foz, apresentou um decréscimo de 32%, para 2,5 milhões. Por último, o grupo Pestana, responsável pelo casino da Madeira, viu a atividade cair 35%, cifrando-se em 1,4 milhões.

O contexto apresenta-se pouco favorável ao jogo. Como refere a Associação Portuguesa de Casinos (APC), “os dois últimos anos de funcionamento intermitente, de restrições aos horários de funcionamento e de constrangimentos operacionais influíram muito negativamente nos hábitos dos clientes, muitos dos quais se transferiram para o jogo online ou para os jogos da Santa Casa”. Certo é que o número de visitas diárias aos casinos está a recuperar “muito lentamente”, sendo que há a notar uma diminuição dos gastos para lazer fruto da atual conjuntura, acrescenta ainda. A APC admite não haver “expectativas de, no final de 2022, virmos a igualar 2019, mesmo nominalmente”. Nesse ano, o setor gerou receitas de 315,2 milhões de euros, que caíram para 157,8 milhões em 2020 e desceram para 141,7 em 2021.

Já no final do ano passado, o Governo decidiu prorrogar os contratos das concessionárias para mitigar as perdas registradas nos primeiros dois anos de pandemia, assim como eliminar a obrigação do pagamento das contrapartidas mínimas desses exercícios. (Dinheiro Vivo)

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