Copa do Mundo deve gerar ‘boom’ de ações comerciais e de marketing

Apostas I 29.07.22

Por: Elaine Silva

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Copa do Mundo será realizada no fim deste ano no Catar (Foto: Divulgação)

Com realização marcada entre os dias 21 de novembro e 18 de dezembro, a Copa do Mundo deve agitar o mercado em diversas áreas. Por mais que o torneio ocorra no Catar, a mais de 11 mil quilômetros de distância do Brasil, por aqui, a tendência é que ações sejam realizadas com o intuito de aproveitar a visibilidade do evento.

Nesta semana, por exemplo, o que mais chamou a atenção foi o anúncio da Panini para a pré-venda em seu site oficial do álbum de figurinhas da competição. Cada pacotinhos com cinco cromos, por exemplo, vão custar R$ 4,00, o dobro do que foi na Copa de 2018.

Historicamente, nas últimas três edições da Copa do Mundo aconteceram Fan Festivais em diferentes locais brasileiros aproveitando toda a atmosfera criada em torno da competição. Na edição deste ano, entretanto, existe a possibilidade que o evento seja feito em parceria entre a Budweiser e a FIFA, o que seria uma novidade, uma vez que a entidade nunca promoveu realizações voltadas aos torcedores em países diferentes do que está sendo realizada a Copa.

Outro produto que promete agitar o mercado é o tradicional álbum de figurinhas, que mobiliza colecionadores em todo o país, buscando as imagens necessárias para completar o álbum. A venda de camisas da Seleção Brasileira também tende a aumentar conforme se aproxime a data da competição, assim como as promoções em bares para assistir aos jogos da Seleção Brasileira e os habituais bolões.

Especialista em marketing esportivo e sócio da Alob Sports, Bernardo Pontes aponta o marketing de influência como um setor a ser explorado. “Certamente a Copa do Mundo fará com que as empresas invistam cada vez mais no segmento esportivo, principalmente a partir do segundo semestre. Uma das tendências que vejo com forte viés para esse momento é o marketing de influência. Personalidades esportivas terão cada vez mais relevância nesse momento para fazer a aproximação do produto/serviço com seus respectivos clientes”, disse.

Uma mudança que deve ser percebida neste ano é a dos garotos-propaganda. No torneio feito na Rússia, em 2018, o técnico Tite e o atacante Neymar apareceram como os dois principais nomes em ações de marketing de diferentes empresas. Neste ano, os astros devem concorrer com digitais influencers, como Casimiro e Luva de Pedreiro.

“Quanto mais ativações as empresas fizerem dentro do universo do futebol, maior será a possibilidade de elas estarem em contato com seu cliente potencial. Afinal, a partir do segundo semestre, tudo irá girar em torno da Copa do Mundo. As companhias que não interagirem com esse tipo de universo, certamente ficarão para trás nesse processo de conquista de atenção junto ao consumidor”, completa Bernardo Pontes.

Para o também especialista em marketing esportivo Renê Salviano, com experiência quando o assunto é Copa do Mundo, as ações que devem ganhar maior destaque são aquelas que são estudadas com antecedência. Como exemplo, ele cita uma ação realizada na edição do Brasil, em 2014.

“A Copa do Mundo é muito organizada, tem suas propriedades muito bem definidas e comercializadas com antecedência. Sabemos que são poucos patrocinadores, mas o mercado aquece e todas as outras marcas de milhares de segmentos acabam aproveitando o momento. Sempre indico respeitar as regras, mas um bom estudo faz parte e aí que os profissionais da área de marketing podem fazer a diferença. Em 2011, por exemplo, estudei bem as leis gerais da Copa no Brasil e percebi que não existia um cronômetro de contagem regressiva. Criamos a ideia, levamos para a Coca-Cola que abraçou o projeto e executamos por 1.000 dias em um local estratégico de Belo Horizonte. O projeto foi um grande sucesso por quase 3 anos e, na Copa seguinte que foi na Rússia, passou a ser uma propriedade oficial da FIFA.”

Em 2014, por exemplo, a Fast Engenharia foi a responsável pelas estruturas provisórias em dois estádios da Copa do Mundo no Brasil: Arena Corinthians e Arena Fonte Nova. Foi uma oportunidade para a empresa, que já tinha expertise como a maior empresa de overlay da América Latina, tendo atuado nas Olimpíadas do Rio 2016, no GP de Fórmula 1 de São Paulo, no ATP 500 Rio Open 2019, nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires 2018 e nos Jogos Pan-americanos de Lima 2019.

“A gestão e experiência da empresa responsável e da equipe designada a montar uma estrutura é fundamental. Tudo deve ser feito com extremo profissionalismo e segurança. Além disso, um dos grandes desafios é ter empresas competentes para executar este tipo de projeto nos prazos estipulados pelos comitês, que normalmente são extremamente curtos. Neste tipo de negócio não existe atrasado, nem um segundo sequer. O evento tem dia e hora para começar, não é possível a modificação da data de início, então o profissionalismo tem que ser em nível extremo”, afirma Tatiana Fasolari, especialista em elaboração e montagem de grandes eventos esportivos e diretora executiva da Fast Engenharia.

Recém-contratado pelo Tottenham, da Inglaterra, o atacante da seleção brasileira Richarlison também movimentou o mercado pensando na temporada e ano de Copa do Mundo. Praticamente garantido entre os selecionáveis do técnico Tite, ele lançou uma linha própria de tokens não fungíveis (NFTs) com os momentos mais especiais de sua carreira até o momento., criada pela IDG NFT (International Digital Group).

De acordo com Sylmara Multini, CEO da IDG, os tokens não fungíveis e a criação de fan tokens gera uma aproximação maior do atleta com o público, e em ano de Copa do Mundo isso fica ainda mais em evidência. “Sabemos que a aproximação do público com o ídolo, neste caso um jogador ou um clube, na maioria das vezes é restrita. Estes ativos garantem essa aproximação de maneira simples, muitas vezes trazendo interações do torcedor com o ídolo, algo que ajuda os fãs a se sentirem ainda mais perto daqueles que admiram. E sabemos que em ano de Copa do Mundo os hábitos mudam e o engajamento e consumo são ainda maiores”.

Um dos NFTs da categoria “Legendary” dará uma experiência especial: o dono do card vai ter direito a uma viagem à Inglaterra para duas pessoas, com três noites de hospedagem. O comprador também poderá assistir a um jogo do Everton no camarote do jogador, além de garantir uma camisa autografada e um jantar com o atleta da seleção brasileira.

Mercado de apostas

Em alta no Brasil, o mercado de apostas esportivas também deve contar com novidades. Tradicionalmente, as casas sempre oferecem aos seus usuários promoções contendo apostas personalizadas, visando atrair um público maior. A tendência é que a prática seja vista com maior frequência na Copa do Mundo.

“Trata-se do maior evento esportivo do planeta. E que gera muita expectativa em pessoas espalhadas por todo o mundo. Aqui na Casa de Apostas já estamos trabalhando em ativações e promoções exclusivas para os nossos apostadores”, comenta Hans Schleier, diretor de marketing da Casa de Apostas.

Por conta da quantidade de apostadores que deve aumentar consideravelmente, o CMO da Galera.bet, Ricardo Bianco Rosada, destaca a necessidade de desenvolver conteúdos educativos para os novos clientes.

“A aposta esportiva está ganhando muito espaço no Brasil por ser uma forma de entretenimento e diversão, onde os apostadores colocam seus conhecimentos a prova. Sempre com a chegada de grandes eventos, como a Copa do Mundo deste ano, o número de novos apostadores cresce, como também o volume de apostas. Por isso é muito importante para nós o investimento na produção de conteúdos de cunho educacional e que fomente o jogo responsável. Receberemos estes novos clientes para apostar de forma recreativa, de braços abertos. Já preparamos uma surpresa muito divertida, ofertas especiais e novidades para essa época”, disse o CMO da Galera.bet, Ricardo Bianco Rosada. (Exame)

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