Fraudes em apostas: entenda o que é legal e o que não no mundo bet

Apostas I 09.08.22

Por: Magno José

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Em funcionamento desde 2018 no país, empresas de apostas ainda operam sob autorização, sem regulamentação específica para o mercado

As casas de apostas esportivas representam hoje uma grande parcela do mercado de patrocínios do futebol brasileiro, com dez representantes entre as maiores investidoras dos clubes da Série A. O mercado, no entanto, ainda não está regulamentado no Brasil: hoje, as empresas operam sob uma autorização do executivo federal, mas ainda se aguarda a publicação das normas de operação. Essa indefinição dificulta a coibição de práticas ilegais associadas às apostas esportivas.

A regra que vale atualmente foi assinada por Michel Temer em dezembro de 2018, autorizando a entrada das operadoras no Brasil, mas com algumas regras. As empresas devem ter sede fora do país e só podem oferecer seus serviços pela internet, com sites hospedados em domínios estrangeiros e sem pontos físicos. Além disso, as apostas esportivas se enquadram na categoria de “quota fixa”, com o valor do lucro já previsto no momento da aposta, e não pode sofrer alterações. O valor é calculado com base na cotação da aposta (as chamadas odds) multiplicada pelo montante investido.

A legislação em vigor, no entanto, diz respeito apenas às apostas esportivas. O que acontece em muitas empresas é disponibilizar também jogos de azar em seus sites, como cassinos e bingos. Explorar esses jogos no Brasil configura-se prática de contravenção penal, e a pena pode chegar a cinco anos de reclusão. O relator do Projeto de Lei 442/91, que pretende criar um marco regulatório de todos os jogos de azar, o deputado federal Felipe Carreiras, que defende a criação de um órgão regulador para toda a indústria. Em relação às apostas, o responsável é o Ministério da Economia.

Com prazo até dezembro, quando a autorização do funcionamento completa quatro anos, o Ministério precisa publicar as leis que vão definir as regras para o mercado no Brasil. A expectativa é que a norma estabeleça que as empresas deverão se regularizar no país, e, portanto, obedecer a legislação local. Assim, os mandatários poderão ser responsabilizados em casos de irregularidades e os usuários terão respaldo legal para situações em que se sintam lesados.

Casos de ilegalidades relacionadas à apostas esportivas cresce
Não foi o que aconteceu com os clientes da empresa Alphabets, acusada de promover esquemas de pirâmide sob a fachada das apostas esportivas. Os usuários relataram que o dono, Rogério Cruz, embolsou os valores guardados no site e ainda desdenhou de quem o procurou nas redes sociais. Em um vídeo, ameaçou os usuários afirmando que eles não sabiam com quem estavam se metendo.

Na última semana, o bicheiro Rogério de Andrade foi preso acusado de expandir seus negócios ilegais para fora do Brasil. Segundo a investigação do Grupo de Atribuição Especializada em Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro, o sobrinho de Castor de Andrade é o fundador da operadora Heads Bet, sediada em Curaçao. Além disso, o filho do contraventor, Gustavo de Andrade, revelou em 2020 em um inqúerito que um funcionário da empresa da família abriu um ponto físico de exploração de bingo e casas de apostas na Barra da Tijuca.

Em Sergipe, no ano passado, uma operação conjunta do Ministério Público Federal com a Polícia Federal abriu investigações sobre a empresa EsporteNet, patrocinadora máster do Fortaleza em 2020. A empresa foi associada a crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, exploração de jogos de azar e organização criminosa.
Em outra investigação, a empresa Betzord, que oferece dicas de apostas em tempo real para seus usuários, foi parar nas páginas policiais. O “tipster”, nome dados aos especialistas das bets, Lucas Tylty tem registros nas redes sociais com grandes nomes do esporte brasileiro, como Ronaldinho Gaúcho, Zico, Vinícius Júnior e Neymar, além de famosos de outras áreas, como a advogada Deolane Bezerra e o palhaço Tirullipa. Os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão no mês passado, mas negaram envolvimentos em ilegalidades. A empresa afirmou em um comunicado que age “dentro da lei”. (O Globo – Laís Malek – Rio de Janeiro)


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