Legitimuz traz os cinco erros que operadores ainda cometem na jornada de onboarding

O onboarding é o primeiro contato real entre o apostador e a plataforma e também o primeiro ponto de controle contra fraude, contas falsas e acesso indevido de menores.
Apesar da pressão regulatória crescente sobre o setor de apostas no Brasil, especialistas em compliance e prevenção à fraude apontam que boa parte das operadoras ainda comete falhas recorrentes nessa etapa, muitas vezes por priorizar conversão em detrimento de segurança, ou o contrário, sem encontrar o equilíbrio entre as duas coisas.
- Tratar a verificação de idade como uma etapa de formulário, não de tecnologia
Um erro comum ainda é reduzir a verificação de idade a uma pergunta de cadastro ou a uma caixa de confirmação sobre maioridade. Esse modelo de autodeclaração perdeu validade jurídica no Brasil e é considerado insuficiente por reguladores, justamente por não comprovar nada de fato.
A alternativa adotada pelo mercado mais maduro combina biometria facial com verificação documental, aplicando o nível de rigor proporcional ao risco de cada tipo de conteúdo ou produto oferecido.
- Verificar a identidade apenas no cadastro, e nunca mais depois disso
Muitas operadoras concentram todo o esforço de verificação no momento em que a conta é criada e param por aí. O problema é que uma conta pode ser comprometida, vendida ou repassada a terceiros meses depois da verificação inicial.
Especialistas recomendam tratar a verificação de identidade como um processo contínuo, com checagens em momentos estratégicos da jornada, grandes saques, mudança de dispositivo, alteração de dados cadastrais, e não como um evento único que se esgota no onboarding.
- Aplicar o mesmo nível de fricção para todos os usuários
Outro erro frequente é tratar todo novo usuário com o mesmo grau de exigência, independentemente do perfil de risco.
Isso gera dois problemas opostos: usuários legítimos abandonam o cadastro por excesso de fricção, enquanto usuários de alto risco passam pelos mesmos controles frágeis pensados para o público em geral.
A abordagem mais eficaz é a verificação baseada em risco, em que o nível de checagem, desde uma verificação simples até camadas adicionais como CPF, documento ou prova de vida, varia de acordo com sinais como valor de transação, geolocalização, histórico do dispositivo ou tipo de produto acessado.
- Não considerar fraude por deepfake e manipulação de imagem no processo de verificação
Com o avanço da inteligência artificial generativa, fraudes com deepfakes e imagens manipuladas deixaram de ser um risco teórico.
Operadoras que ainda validam identidade apenas com o envio de uma selfie estática, sem mecanismos de prova de vida (liveness detection) ou detecção de manipulação, estão expostas a um tipo de fraude que cresce mais rápido do que a maioria dos sistemas legados foi desenhada para enfrentar.
Esse ponto se tornou ainda mais sensível diante da entrada em vigor do ECA Digital, que exige mecanismos efetivos de verificação de idade.
- Não documentar as decisões tomadas durante a verificação
Por fim, um erro que só aparece quando já é tarde: a falta de registro estruturado de por que uma conta foi aprovada, sinalizada ou bloqueada durante o onboarding.
Em caso de fiscalização, auditoria ou questionamento judicial, a operadora precisa demonstrar não apenas que verificou a identidade do usuário, mas como e com base em quê tomou cada decisão.
Sem essa documentação, a empresa fica exposta mesmo quando o processo de verificação, na prática, funcionou corretamente.
O denominador comum
Os cinco erros têm uma raiz semelhante: tratar o onboarding como uma etapa burocrática a ser cumprida, e não como a primeira e mais importante camada de proteção da operação. Para especialistas do setor, a tendência regulatória tanto na regulamentação de apostas quanto no ECA Digital é justamente cobrar das operadoras evidências de que a verificação de identidade funciona de fato, e não apenas no papel.


