Líder do PSL na Câmara usa o jogo do bicho para justificar novo imposto

Em entrevista ao Correio Braziliense, o relator da reforma tributária e líder da maioria na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), adiantou que vai barrar qualquer projeto de criação de um imposto sobre movimentações financeiras, nos moldes da extinta CPMF. Nesta quinta-feira (22/8), o presidente Jair Bolsonaro disse que conversará sobre a proposta com o ministro da Economia, Paulo Guedes.
“Vamos aguardar. Mas continuo achando que CPMF, pequena ou grande, aqui não passa”, disse Aguinaldo Ribeiro, engrossando o coro dos deputados contrários à ideia, como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que voltou a afirmar nesta semana que “a CPMF não voltará”.
Jogo do bicho
O líder do PSL na Câmara, deputado Delegado Waldir (GO), considera que não haveria aumento da carga tributária com a taxação das movimentações financeiras. “Sou favorável à criação de um imposto sobre movimentação financeira, porque, além de a base de arrecadação ser outra, é uma forma de inibir a sonegação fiscal e não vai aumentar a carga tributária. Todo o PSL é contra o aumento da carga tributária. Um imposto sobre movimentação financeira vai assegurar a arrecadação. Por exemplo, o jogo do bicho não paga imposto, a feira popular também não, mas suas movimentações financeiras vão pagar”, disse o deputado.
Comento
Impressiona o nível de hipocrisia com relação os jogos no Brasil. O líder do PSL defende a criação de um tributo sobre movimentação financeira para que o jogo do bicho, que continuará na clandestinidade, pague imposto de forma enviesada. Seria muito mais lógico que o parlamentar defendesse a tributação direta de todos os jogos que operam hoje a margem da lei, que representariam bilhões anualmente para os cofres do governo.
Os parlamentares ao invés de ficarem onerando o trabalhador e o empresário brasileiros com novos impostos deveriam aprovar um marco regulatório para os jogos através do PL 442/91 ou do PLS 186/14, que estão prontos para serem votados pelos plenários das duas Casas.


