Mercado de apostas esportivas deve ultrapassar US$ 140 bilhões em 2028

Apostas I 26.11.21

Por: Elaine Silva

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Sites de apostas estão em 85% dos clubes da elite do futebol brasileiro
Apesar do nome estigmatizado, o mercado de apostas esportivas é legalizado no Brasil – mas não regularizado

O esporte pode ser um grande atrativo, não apenas pela diversão, mas também pela possibilidade de multiplicar o dinheiro. Segundo relatório da consultoria Grand View Research, o mercado de apostas esportivas foi avaliado em quase U$70 bilhões em 2020, e tem previsão de crescer mais de 10% ao ano até 2028, quando deve ultrapassar os U$140 bilhões.

São muitos os fatores que explicam esse crescimento. As mudanças regulatórias positivas para o mercado das apostas em geral e o crescimento da infraestrutura digital abastecem a demanda na área esportiva. Além disso, o aumento do número de dispositivos móveis, onde ocorre a maioria delas, e de ligas e eventos esportivos alimentam a procura por esse mercado.

A pandemia da Covid-19, que obrigou o cancelamento de diversos eventos, afetou severamente a indústria esportiva. Com o vácuo que deixou, a popularidade dos esportes eletrônicos teve significativo crescimento devido às apostas em e-sports. Em 2020, a loot.bet, uma das maiores casas de apostas do segmento, observou crescimento de mais de 67% nos volumes de apostas online.

Como funciona o mercado de apostas esportivas?

O apostador escolhe um esporte e tenta adivinhar diversas situações, como o resultado final de um jogo ou campeonato, quantos gols ou pontos serão feitos e por quem. Quanto mais improváveis as previsões, maior a possibilidade de retorno – e o inverso também é verdadeiro.

No universo das apostas esportivas, existem basicamente duas modalidades: o punting e o trading. No primeiro modelo, o apostador, chamado de punter, apenas espera o resultado final do evento em que depositou seu dinheiro. Ele disputa contra a casa de aposta, podendo receber ou pagar a premiação.

Já o trader esportivo não espera o resultado do evento, ele ganha ou perde com as movimentações feitas ao longo do jogo. Enquanto o punter aposta com base no histórico das equipes e dos jogadores, o trader trabalha com a leitura dos cenários que ocorrem durante as partidas. Independentemente da modalidade, as apostas envolvem análise de dados e controle emocional.

Legalizado, mas não regularizado

Apesar do nome estigmatizado, o mercado de apostas esportivas é legalizado no Brasil – mas não regularizado. É o que também ocorre com o Bitcoin, criptomoeda que pode ser negociada livremente, mas sem qualquer tipo de controle do governo.

Por conta disso, as empresas do setor estão sediadas fora do Brasil, onde não pagam impostos e podem oferecer jogos de azar por não responderem à lei brasileira. As apostas esportivas foram permitidas há apenas 3 anos, quando também se estabeleceu um prazo de até 4 anos para que a atividade fosse regulamentada.

É esperado que, ao longo dos próximos anos, regulações governamentais mais severas em relação ao mercado de apostas em geral dificultem o crescimento do setor em diversos países. No entanto, a aplicação de inteligência artificial e a tecnologia blockchain devem impulsionar o crescimento.

O futebol e as apostas esportivas

De acordo com o estudo da Grand View Research, o futebol foi responsável por 30% da receita desse mercado em 2020 e é também o segmento com maior potencial de crescimento. A popularidade do esporte e seu grande número de fãs pelo mundo são os maiores responsáveis por isso.

Por outros motivos, como a simplicidade do jogo e, consequentemente, das apostas nele realizadas, o basquete teve a segunda maior receita.

Quase metade dos clubes da liga de futebol mais valiosa do mundo, a Premier League da Inglaterra, são patrocinados por empresas de aposta esportiva.

No Brasil, 19 dos 20 clubes da série A têm patrocínio de casas de apostas – sendo que 7 são máster, que dão direito ao espaço mais nobre da camisa. O São Paulo F. C. tem contrato com a empresa de apostas Sportsbet.io no valor de R$ 87 milhões fixos até 2024. Apesar de recém-legalizado, o mercado de apostas esportivas no país já saltou de R$ 2 bilhões para R$ 7 bilhões ao ano, e a aposta é que continue em ascensão.

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