Pesquisa revela que 70% dos apostadores brasileiros tiveram contato com sites não regulamentados

O diretor e conselheiro do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), André Gelfi, participou do programa Debate Bet, conduzido pelo jornalista Nivaldo Prieto. Na terça-feira (30), ele ressaltou a importância da campanha da entidade que será veiculada até o final deste ano para conscientizar sobre a relevância da regulamentação e proteção do apostador. Gelfi afirmou que “o dinheiro que se aposta no mercado clandestino muitas vezes vai para fora do Brasil”.
A iniciativa surge após pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pela LCA, encomendada pelo IBJR, que identificou que aproximadamente 50% do mercado brasileiro de apostas ainda opera na clandestinidade. O estudo também revelou que cerca de 70% dos brasileiros que apostaram recentemente tiveram contato com sites não regulamentados, representando uma perda de arrecadação estimada entre R$ 10 e 11 bilhões anuais.
O debate contou com a participação de Beatriz Gimenees, da DF Digital, e Rafael Coraça, diretor de marketing da EGT, que discutiram a dificuldade dos brasileiros em diferenciar sites regulamentados dos clandestinos. A campanha foi criada considerando que o setor foi regulamentado apenas no ano passado, com regras que entraram em vigor em janeiro de 2025.
Após sete meses de regulamentação, o mercado formal conquistou aproximadamente metade da participação no setor de apostas no Brasil. Os participantes destacaram que esse avanço precisa ser consolidado com mais ações educativas.
A campanha tem como público-alvo os apostadores brasileiros, principalmente aqueles que podem estar utilizando plataformas ilegais sem conhecimento. O objetivo é ensinar a identificar sites regulamentados, que possuem o domínio .bet.br, exclusivo para empresas autorizadas pelo Ministério da Fazenda.
Os materiais estão sendo veiculados em diversos canais de comunicação, incluindo televisão e redes sociais. O vídeo principal apresenta o conceito “Tem bet e tem bet”, diferenciando plataformas legais das clandestinas. A campanha completa inclui quatro vídeos, com um específico sobre a proibição de apostas para menores de idade.
“Olha, nós temos lá no instituto um dispositivo que alerta para quem passou da conta”, declarou Gelfi, destacando as medidas de proteção implementadas pelas plataformas regulamentadas. Beatriz Gimenees afirmou: “Olha, eu quero ter essa estrutura”, referindo-se ao trabalho de compliance realizado pela DF Digital com influenciadores.
A pesquisa também indicou que 70% dos apostadores que utilizam plataformas ilegais não demonstram interesse em conhecer os sites legalizados. Outro dado apresentado mostra que muitos sites clandestinos são “espelhos” de plataformas legais, o que confunde os usuários.
Rafael Coraça destacou a importância da educação no setor: “Eu nem eu não eu não quero apostar, só quero ver você jogar, quero assistir, né? Já tô me divertindo.” Esta declaração exemplifica como seguidores de influenciadores responsáveis podem desenvolver uma relação saudável com conteúdos sobre apostas.
Os participantes do debate alertaram sobre possíveis aumentos de impostos para o setor, o que poderia beneficiar o mercado ilegal ao reduzir a competitividade das empresas regulamentadas. O bloqueio efetivo dos meios de pagamento para sites ilegais foi mencionado como solução importante, mas sem detalhamento sobre sua implementação prática.
Gelfi afirmou que o maior desafio do setor é “trazer luz a esse debate para que a gente possa, de fato, ter um mercado sustentável. Não existe mercado bom pro operador, ruim pra sociedade, ruim pro estado brasileiro. Tem que ser bom para todo mundo.”


