Receitas de clubes de futebol da Série A crescem 1% em três anos e somam R$ 6,6 bilhões

Apostas I 15.06.22

Por: Magno José

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Relatório publicado por XP e pela Convocados faz raio-x sobre as finanças dos times brasileiros em 2021 e o mercado consumidor de futebol no Brasil

As receitas totais dos times de futebol da Série A do Campeonato Brasileiro fecharam a temporada de 2021 em R$ 6,6 bilhões, crescimento de 1% em relação a 2019, último ano antes da pandemia.

O dado está no ‘Relatório Convocados XP: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro’, divulgado nesta terça-feira (14) pela XP e pela consultoria Convocados, especializada na cobertura da indústria do futebol.

As receitas totais dos times de futebol da Série A do Campeonato Brasileiro fecharam a temporada de 2021 em R$ 6,6 bilhões, crescimento de 1% em relação a 2019, último ano antes da pandemia.

O dado está no Relatório Convocados XP: Finanças, História e Mercado do Futebol Brasileiro, divulgado nesta terça-feira (14) pela XP e pela consultoria Convocados, especializada na cobertura da indústria do futebol.

A quase estabilidade nas receitas é explicada por uma série de fatores, como a pouca receita com bilheteria e também pela diminuição no número de sócios torcedores. Outro destaque também é a venda de atletas, que vem caindo ano após ano.

“O mercado de negociação de atletas está mudando. A Europa demanda cada vez menos. Os clubes que dependem deste tipo de receita para fechar suas contas correm risco grande de ficar pelo caminho”, destaca César Grafietti, sócio da Convocados e colunista do InfoMoney.

Dentro desses R$ 6,6 bilhões, a maior fonte de receitas vem dos Direitos de Transmissão (R$ 3,47 bilhões), que estão associados às premiações da Copa do Brasil e Libertadores de 2020, pagas em 2021, além do acúmulo de dois Mundiais de Clubes da Fifa e da premiação do Campeonato Brasileiro.

Flamengo (R$ 1 bilhão) e Palmeiras (R$ 911 milhões) obitiveram quase 30% das receitas dos clubes brasileiros nesse período. O clube carioca registrou crescimento importante de publicidade e o paulista teve forte impacto nas receitas por conta da performance em campo, com duas conquistas da Libertadores e o título da Copa do Brasil de 2020.

Sob a ótica das receitas recorrentes – que excluem as negociações de atletas – a principal divisão do futebol brasileiro arrecadou R$ 5,8 bilhões, crescimento de 8,7% sobre 2019.

O valor, apesar de ser positivo por indicar crescimento, também é um alerta aos clubes: as receitas com negociação de atletas estão mudando e cada vez menos serão a tábua de salvação para quem estiver em dificuldade.

“O ano de 2021 no futebol brasileiro foi marcado pela confirmação de que a pirâmide competitiva mudou. A ideia de que temos 12 clubes grandes e prontos a competir pelo título ficou para trás. Números e desempenho não deixam dúvidas. No ano passado, tivemos Botafogo, Cruzeiro e Vasco disputando a Série B. Ao final da temporada, vimos apenas um deles retornar, mas também a queda de Bahia, Grêmio e Sport Recife. Méritos dos que permaneceram e alerta de que não basta mais a história. É fundamental ser eficiente”, afirma Grafietti.

Com menos dinheiro, diminuíram também os investimentos: em 2021, eles foram 17% menores do que em 2019, e 13% menores que 2020. Houve também uma redução no investimento em formação de elenco profissional e um aumento nos investimentos em categorias de base.

Ao final de 2021, 672 clubes disputaram alguma divisão profissional no Brasil, crescimento de 17% sobre 2020 e 5% sobre 2019. Com a possibilidade da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), a tendência indicada pelo relatório é a chegada aos gramados de novos clubes, sem dívidas e com visão de negócios.

“Apesar de recente, esperamos que a Lei da SAFs melhore o panorama geral consideravelmente já num curto espaço de tempo, com mais clubes aderindo ao modelo de negócios com investidores privados. Não tenho dúvida de que teremos clubes ainda mais fortes, com maior capacidade de investimento e torcedores cada vez mais engajados com seus times”, diz Guilherme Ávila, sócio e responsável por Esportes no Banco de Investimento da XP.

Os Direitos de Transmissão seguem como carro-chefe das receitas dos clubes de futebol no Brasil, representando 53% do total. Os dados de 2021, no entanto, refletem receitas com comportamento errático, por conta da ausência de público nos estádios e da postergação das competições.

Ainda sobre Transmissão, 34% dos torcedores assinaram algum serviço de streaming para acompanhar esportes em 2021, reforçando a tese de que essa é mais uma fonte potencial de receitas para os clubes.

As receitas com Publicidade e Marketing atingiram 16% do total, passando de 1,4% do investimento publicitário no Brasil em 2020 para 2% em 2021. “O futebol vem passando a ser foco de investimento publicitário cada vez mais relevante”, afirma Grafietti.

Fontes de receita

Houve alta de 48% nas receitas com publicidade de 2020 para 2021. Assim, o valor total passou de R$ 715 milhões para R$ 1,061 bilhão ao fim do ano passado.

Juntos, Flamengo, Palmeiras e Corinthians representaram 63% do crescimento das receitas com publicidade dos times brasileiros. Outro dado relevante mostra que 72% dos torcedores afirmam lembrar das marcas que patrocinam seus clubes do coração.

“Fica claro que a lembrança é maior quanto menos patrocinadores [um clube tem], o que é algo para os clubes terem em mente na hora de trabalharem suas marcas”, aponta Grafietti.

Já as receitas com Negociação de Atletas representaram 18% do total. Esta linha já foi mais relevante no passado e vem perdendo espaço porque os clubes europeus estão mudando a forma de operar, contratando atletas mais jovens, em formação, e investindo menos.

A receita total com negociações de atletas, que foi de 293 milhões de euros em 2019, caiu para 183 milhões de euros em 2021 – uma queda de 37,5%. A depreciação do real frente ao euro no período, porém, atenuou essa redução (de R$ 1,48 bilhão para R$ 1,15 bilhão).

Poucos clubes apresentaram valores relevantes de receitas com negociação de atletas e utilizaram os recursos para reduzir dívidas ou ao menos mantê-las estáveis. Os destaques são Athlético, Flamengo, Fluminense e Grêmio. Do lado oposto há quem negociou atletas, mas viu as dívidas aumentarem substancialmente, casos de Atlético-MG, Corinthians e Cruzeiro.

Controle de custos

As dívidas dos clubes seguem elevadas. Os times continuam precisando de mais alongamentos para pagar o passado, e não deixam de fazer novas dívidas.

Sem crescimento de receitas, os clubes precisam controlar custos. E a remuneração segue abaixo dos 60% das receitas, o que indica que clubes estão gastando com outras atividades.

Em 2021, os clubes da Série A, em adição aos maiores devedores da Série B, deviam R$ 9,2 bilhões – valor ligeiramente superior aos R$ 9,1 bilhões de 2020. Em um cenário de receitas estagnadas, 60% dos clubes analisados levariam mais de sete anos para pagar suas dívidas caso alocassem 20% das receitas para pagá-las.

As dívidas cresceram ligeiramente em 2021, mesmo com o aumento das receitas. As dívidas formadas na pandemia viraram alongamentos e poucos clubes optaram por pagá-las. Agora, o principal desafio dos clubes é parar de fazer novas dívidas.

Em 2021, Palmeiras e Flamengo liquidaram passivos com a geração de caixa, enquanto o Botafogo os reduziu a partir de descontos em renegociações, assim como o Bahia.

Tendências de apostas e e-sports

O ano de 2021 terminou com boas iniciativas no segmento: a aprovação da lei da SAF, as conversas mais avançadas sobre formação de liga de clubes, o crescimento do streaming como alternativa adicional de receitas de transmissão, o crescimento de games e a chegada das apostas esportivas.

Para o futuro, duas tendências que os clubes já estão de olho no Brasil são o mercado de apostas e o e-sports.

O mercado potencial de apostas no Brasil é de R$ 25 bilhões. Segundo o relatório, 28% da população diz fazer apostas esportivas. “É um pilar que deve ser regulamentado a qualquer momento”, afirma Rafael Plastina, da Convocados.

Os clubes começaram a investir também em suas equipes de e-sports, com a ideia de que a modalidade vire uma fonte de receita no futuro. A Fórmula 1 digital, por exemplo, pode chegar num futuro próximo a movimentar mais dinheiro do que a própria Fórmula 1, destaca Plastina. Hoje, 53% dos torcedores dizem que jogam algum tipo de jogo eletrônico.

Paixão nacional

O torcedor brasileiro segue apaixonado por futebol: 75% das pessoas têm no futebol seu esporte favorito.

O Brasileirão segue sendo a competição mais amada, sendo preferida por 60% dos torcedores. Libertadores (com 58%) e Copa do Brasil (57%) também são grandes objetos de interesse.

O futebol brasileiro em números:

– As receitas totais da Série A somaram R$ 6,6 bilhões em 2021;

– Somente com salários, os custos foram de R$ 3,2 bilhões na Série A em 2021;

– As dívidas dos clubes da Série A fecharam 2021 em R$ 8,9 bilhões;

– As receitas totais da Série B somaram R$ 900 milhões em 2021;

– As maiores dívidas líquidas são do Atlético-MG (R$ 1,3 bilhão), Corinthians (R$ 963 milhões), Cruzeiro (R$ 723 milhões), Vasco (R$ 710 milhões) e São Paulo (R$ 632 milhões);

– 75% das pessoas têm no futebol seu esporte predileto; o Brasileirão é a competição favorita;

– Em 2021, o país teve 672 times disputando alguma competição profissional, alta de 17%;

– As maiores torcidas do país em 2022 são do Flamengo (24%), Corinthians (18%), São Paulo (11,5%), Palmeiras (9,8%), Grêmio (4,7%) e Vasco (4,1%);

– Cruzeiro e Flamengo têm as torcidas mais jovens; Santos e Fluminense têm as torcidas mais velhas;

– As competições mais amadas são o Campeonato Brasileiro (60%), a Libertadores (58%), a Copa do Brasil (57%) e a Copa do Mundo (54%). (Infomoney – Felipe Alves)

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