Descontente com a baixa remuneração, empresário decide fechar lotérica
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O presidente do SINCOERGS, Marco Antônio Kalikoswki faz um alerta para que novos lotéricos não sejam enganados, acreditando em lucros no negócio
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Muitos clientes estranharam quando viram as portas da lotérica fechadas. Estabelecida em ponto estratégico da Rua Padre Anchieta, ela não voltará a funcionar, segundo o empresário Luciano Castagno, que está devolvendo a lotérica para a Caixa Econômica Federal, conforme anunciou.
Descontente com fatos como baixa remuneração pelos serviços que presta à Caixa e restrições impostas à concessão de crédito, especialmente financiamentos para habitação, diz que não quer manter o negócio. “Sou mal remunerado”, diz Castagno, que investiu há um ano em instalações para atender melhor aos clientes que buscavam serviços da instituição.
Como ele, outros lotéricos poderão fazer o mesmo, diz o presidente do Sindicato das Empresas Lotéricas no Estado, Marco Antônio Kalikowski, que alerta para a baixa remuneração dos lotéricos, mas também para as licitações, que serão feitas para cumprir exigências do Tribunal de Contas da União (TCU) até 2018. No Rio Grande do Sul, serão 404 lotéricas e no Brasil, 6,1 mil.
Kalikoswki faz um alerta para que novos lotéricos não sejam enganados, acreditando em lucros no negócio. No pagamento de uma conta de luz de R$ 1 mil, exemplifica, a remuneração é pela tarifa única de R$ 0,41, dos quais saem R$ 0,40 como seguro repassado à Caixa. “O ganho vem dos jogos. É o que cobre os custos”, diz o presidente.
A remuneração é de 8,61% pelo valor do jogo, informa, ao mesmo tempo que lamenta: hoje, os jogos são feitos pelos apostadores na internet. A Caixa só divulga o lucro bruto e também não fala do endividamento dos lotéricos, explicou. “Quase todos têm financiamentos para cobrir dívidas”, diz.
“Quem comprou antes da licitação vai ter que comprar de novo”, explica o presidente, sobre lotéricos que hoje mantêm seus estabelecimentos sem licitação, mas conforme acórdão do TCU de abril de 2013, que concedia prazo até o final de 2018. No Estado, hoje, existem mais de 850 lotéricas e em Pelotas, entre 18 e 20.
Estabelecido há 18 anos no mesmo local, Castagno diz que não vê mais futuro no negócio, principalmente diante das novas licitações. “Vou cumprir o contrato”, explicou, referindo-se à exigência de manter por 30 dias, segundo a Caixa, a lotérica em funcionamento.
As funcionárias serão demitidas e para este ramo disse não acreditar que volte. Castagno tem registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). “Eu quero um negócio rentável”, disse o empresário, que também lembra da insegurança neste segmento Ele já sofreu duas tentativas de assalto a mão armada. (Diário Popular –Maria da Graça Marques e foto: Gustavo Mansur)


