Plataforma de autoexclusão de apostas online soma 462,8 mil cadastros no Brasil

Dados inéditos da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda registram 462.831 autoexclusões na plataforma federal de bloqueio de apostas online. O sistema entrou em operação no final de 2025, revela o colunista Lauro Jardim, do O Globo.
A ferramenta permite que apostadores impeçam o próprio acesso a todos os sites autorizados pelo governo. Os usuários podem escolher períodos de bloqueio que variam de um mês até tempo indeterminado. Especialistas questionam um possível uso político-eleitoral dos dados da plataforma e de sua divulgação por parte da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.
O governo criou o mecanismo após autorizar o funcionamento das casas de apostas no Brasil. A iniciativa surgiu em meio a preocupações com o endividamento da população.
Na semana passada, o presidente Lula declarou que, se dependesse apenas dele, “fecha as bets“. Ele reconheceu que a medida depende do Congresso Nacional e considerou a possibilidade improvável.
Saúde mental lidera motivos de bloqueio
A perda de controle sobre o jogo foi a principal causa alegada pelos usuários. Esse motivo, relacionado à saúde mental, representou 39,87% do total de cadastros.
A prevenção do uso de dados pessoais pelas plataformas apareceu em segundo lugar, com 19,57% das justificativas. Decisão voluntária sem especificação de motivo correspondeu a 13,68% dos casos.
Outros 14,07% dos cadastrados preferiram não informar a razão do bloqueio. Dificuldades financeiras motivaram 11,44% das autoexclusões. Recomendação profissional da área de saúde foi indicada por 1,36% dos usuários.
Embora não se discuta a importância da plataforma de autoexclusão do governo para proteger os apostadores que desenvolveram problemas com os jogos e dos brasileiros que se cadastraram na plataforma para prevenir o uso dos seus dados, especialistas ouvidos pelo BNLData questionam um possível uso político-eleitoral de seus dados. Está cada vez mais cristalino o uso político ou de marketing indevido da plataforma, levando à “banalização política” e desvio de função da ferramenta.
Maioria escolhe bloqueio sem prazo definido
A autoexclusão por tempo indeterminado foi a opção mais escolhida. Esse período representou 69,86% do total de cadastros na plataforma.
O bloqueio de 12 meses foi selecionado por 20,75% dos usuários. Períodos de seis meses corresponderam a 2,92% das escolhas.
A autoexclusão de três meses foi escolhida por 3,06% dos cadastrados. O período de um mês representou 2,8% do total. Apenas 0,61% optaram pelo bloqueio de nove meses.
O Ministério da Fazenda não informou quantos usuários já concluíram o período de bloqueio e retornaram às plataformas de apostas.
Veja a seguir os dados completos da plataforma:
⇒ Total de autoexclusões: 462.831
Causas:
⇒ Recomendação profissional da área de saúde – 1,36%
⇒ Dificuldades financeiras – 11,44%
⇒ Decisão voluntária – 13,68%
⇒ Não desejo informar – 14,07%
⇒ Prevenir que meus dados sejam utilizados em plataformas de apostas: 19,57%
⇒ Perda de controle sobre o jogo (saúde mental): 39,87%
Período da autoexclusão:
⇒ 1 mês – 2,8%
⇒ 3 meses – 3,06%
⇒ 6 meses – 2,92%
⇒ 9 meses – 0,61%
⇒ 12 meses – 20,75%
⇒ Indeterminado (sem prazo) – 69,86%


