Plataforma de autoexclusão de apostas online soma 462,8 mil cadastros no Brasil

Apostas I 13.04.26

Por: Magno José

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Ministério da Fazenda registra 153 mil pedidos de autoexclusão de apostas em 20 dias
Ferramenta do governo permite bloqueio voluntário em plataformas autorizadas. Especialistas questionam possível uso eleitoral dos dados pelo governo. Confira os dados completos da plataforma

Dados inéditos da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda registram 462.831 autoexclusões na plataforma federal de bloqueio de apostas online. O sistema entrou em operação no final de 2025, revela o colunista Lauro Jardim, do O Globo.

A ferramenta permite que apostadores impeçam o próprio acesso a todos os sites autorizados pelo governo. Os usuários podem escolher períodos de bloqueio que variam de um mês até tempo indeterminado. Especialistas questionam um possível uso político-eleitoral dos dados da plataforma e de sua divulgação por parte da Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

O governo criou o mecanismo após autorizar o funcionamento das casas de apostas no Brasil. A iniciativa surgiu em meio a preocupações com o endividamento da população.

Na semana passada, o presidente Lula declarou que, se dependesse apenas dele, “fecha as bets“. Ele reconheceu que a medida depende do Congresso Nacional e considerou a possibilidade improvável.

Saúde mental lidera motivos de bloqueio

A perda de controle sobre o jogo foi a principal causa alegada pelos usuários. Esse motivo, relacionado à saúde mental, representou 39,87% do total de cadastros.

A prevenção do uso de dados pessoais pelas plataformas apareceu em segundo lugar, com 19,57% das justificativas. Decisão voluntária sem especificação de motivo correspondeu a 13,68% dos casos.

Outros 14,07% dos cadastrados preferiram não informar a razão do bloqueio. Dificuldades financeiras motivaram 11,44% das autoexclusões. Recomendação profissional da área de saúde foi indicada por 1,36% dos usuários.

Embora não se discuta a importância da plataforma de autoexclusão do governo para proteger os apostadores que desenvolveram problemas com os jogos e dos brasileiros que se cadastraram na plataforma para prevenir o uso dos seus dados, especialistas ouvidos pelo BNLData questionam um possível uso político-eleitoral de seus dados. Está cada vez mais cristalino o uso político ou de marketing indevido da plataforma, levando à “banalização política” e desvio de função da ferramenta.

Maioria escolhe bloqueio sem prazo definido

A autoexclusão por tempo indeterminado foi a opção mais escolhida. Esse período representou 69,86% do total de cadastros na plataforma.

O bloqueio de 12 meses foi selecionado por 20,75% dos usuários. Períodos de seis meses corresponderam a 2,92% das escolhas.

A autoexclusão de três meses foi escolhida por 3,06% dos cadastrados. O período de um mês representou 2,8% do total. Apenas 0,61% optaram pelo bloqueio de nove meses.

O Ministério da Fazenda não informou quantos usuários já concluíram o período de bloqueio e retornaram às plataformas de apostas.

Veja a seguir os dados completos da plataforma:

⇒ Total de autoexclusões: 462.831

Causas:

⇒ Recomendação profissional da área de saúde – 1,36%

⇒ Dificuldades financeiras – 11,44%

⇒ Decisão voluntária – 13,68%

⇒ Não desejo informar – 14,07%

⇒ Prevenir que meus dados sejam utilizados em plataformas de apostas: 19,57%

⇒ Perda de controle sobre o jogo (saúde mental): 39,87%

Período da autoexclusão:

⇒ 1 mês – 2,8%

⇒ 3 meses – 3,06%

⇒ 6 meses – 2,92%

⇒ 9 meses – 0,61%

⇒ 12 meses – 20,75%

⇒ Indeterminado (sem prazo) – 69,86%

 

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