É ignorância dizer que bet regulamentada deve acabar, diz vice da CBF

A Confederação Brasileira de Futebol – CBF participou de discussão sobre o mercado de apostas esportivas no Brasil. Michelle Ramalho, vice-presidente da entidade, integrou painel realizado nesta terça-feira (2/6) durante o 14º Fórum de Lisboa, na Universidade de Lisboa. O debate reuniu representantes de casas de apostas regulamentadas para discutir a legislação brasileira e os desafios do setor.
Ramalho declarou que “muitos ignorantes falam que as bets [regulamentadas] têm que acabar, mas as bets são tão vítimas quanto as federações”. A dirigente argumentou que existe confusão sobre o papel das empresas legalizadas no país, conforme informações divulgadas pelo Poder360.
A vice-presidente da CBF afirmou: “Não se pode mais falar hoje em futebol sem bets. Temos que desmistificar esse rótulo que muitos falam como se as bets fossem o autor das manipulações de resultados. […] Qual é a bet que vai querer que aquele jogo seja manipulado?”.
Diferenças entre mercado legal e ilegal
Alexandre Fonseca, CEO da Superbet Apostas Esportivas, apresentou dados sobre o perfil dos usuários das plataformas regulamentadas. O executivo informou que o público das empresas legalizadas é majoritariamente masculino e de renda maior.
Fonseca contrastou esse perfil com os grupos mais endividados no Brasil. Segundo ele, o público feminino e de baixa renda está entre os mais afetados por dívidas. O CEO destacou que o principal núcleo de endividamento está relacionado ao cartão de crédito.
“O público feminino e de baixa renda está entre os mais endividados. Já o nosso cliente é majoritariamente masculino e de renda maior. O principal núcleo de endividamento está no cartão de crédito e nós não aceitamos. O mercado ilegal aceita, mas o regulamentado só aceita Pix”, afirmou Fonseca.
O executivo da Superbet declarou: “Todo problema na sociedade brasileira atribui-se a bets. Mas as bets não são um fenômeno novo, foi apenas regulamentado. E a regulamentação no Brasil funciona”.
Pedido por legislação mais rigorosa
Ramalho defendeu a criação de leis mais severas contra casas de apostas não legalizadas. A vice-presidente da CBF afirmou que as empresas regulamentadas são “vítimas desses rótulos errados” e que companhias como Superbet e Betano “estão fazendo um trabalho muito sério”.
“É muito importante tipificar as casas de apostas que não estão legalizadas. Não temos uma lei severa para isso. E não é justo com quem está legalizado, fazendo tudo certinho, concorrer com as casas ilegais. […] O Congresso precisa abrir os olhos para isso”, disse Ramalho.
Guilherme Figueiredo, diretor de Assuntos Públicos da Betano Brasil, participou do painel ao lado de Ramalho e Fonseca. Figueiredo comentou sobre programas governamentais como Bolsa Família e Desenrola. Essas iniciativas utilizam ferramentas como reconhecimento facial para impedir que beneficiários realizem apostas on-line.
O diretor da Betano afirmou que “a portaria de Jogo Responsável é um exemplo para a América Latina”. Figueiredo solicitou que políticos e influenciadores defendam o mercado regular no Brasil.
“Nós estamos sofrendo um ataque de vários setores por estarmos tudo no mesmo balaio. Mas ou você defende o jogo legalizado ou você estará defendendo o jogo ilegal”, declarou Figueiredo.
Fórum de Lisboa
O 14º Fórum de Lisboa acontece entre os dias 1º e 3 de junho na Universidade de Lisboa, em Portugal. O tema do evento é “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania: desafios democráticos, econômicos e sociais”. O painel sobre jogos eletrônicos e apostas on-line foi realizado no segundo dia do fórum.


