Bancos privados avaliam adesão restrita ao novo Desenrola Adimplentes

Apostas I 30.06.26

Por: Magno José

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Bancos privados avaliam adesão restrita ao novo Desenrola Adimplentes
Apenas Caixa e Banco do Brasil sinalizam participação; Febraban prevê adesão limitada do mercado financeiro ao programa federal. Quem aderir ao programa ficará impedido de apostar em bets por até seis meses (Foto: Reprodução – Ministério da Fazenda)

Os bancos privados devem aderir de forma restrita ao Desenrola Adimplentes, novo programa de crédito lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta segunda-feira (29/6). Até o momento, apenas as estatais Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil sinalizaram participação na iniciativa.

Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, Bradesco, Itaú Unibanco e Nubank informaram, via assessoria, que ainda avaliam o programa. A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) foi direta ao avaliar as perspectivas: “o potencial de adesão das instituições financeiras tende a ser mais limitado”.

A entidade que representa as maiores instituições do país justificou a postura cautelosa. “Nesse contexto, a participação será uma decisão de cada banco associado, observadas as condições da nova linha, as políticas de crédito da instituição, suas estratégias de negócio e critérios próprios de avaliação de risco”, afirmou a Febraban em nota.

Resistência do setor privado

A ABBC (Associação Brasileira de Bancos) também foi reservada. A entidade reconheceu que “o programa pode contribuir para a reorganização financeira de parte restrita da população de trabalhadores autônomos”, mas apontou obstáculos concretos. “As regras de elegibilidade restringem o universo potencial de beneficiários e a efetiva implementação dependerá da superação de desafios operacionais relevantes, especialmente relacionados à integração e à validação das diferentes bases de dados necessárias para identificar os clientes elegíveis ao programa”, completou a ABBC.

Os bancos privados já haviam resistido a esta fase do Desenrola durante as negociações, argumentando que não faz sentido renegociar dívidas de quem está com os pagamentos em dia.

Como funciona o programa

O Desenrola Adimplentes é voltado para trabalhadores informais e autônomos com dívidas de até R$ 15 mil que estejam em dia ou com atraso de no máximo 90 dias. O governo federal estima que entre 1 milhão e 3 milhões de pessoas sejam beneficiadas.

O teto de juros da modalidade é de 1,99% ao mês, com garantia do FGO (Fundo Garantidor de Operações). O índice é expressivamente menor do que a média praticada atualmente; segundo dados do Banco Central, a taxa média do crédito pessoal estava em 7,15% ao mês no início de junho de 2026. Em abril, o total emprestado nessa modalidade somava R$ 400 bilhões.

Para participar, o contrato deve ser de crédito pessoal não consignado e ter pelo menos quatro parcelas já pagas. A prestação renegociada não pode ultrapassar 90% do valor da parcela original. O programa também permite a contratação de crédito adicional de até 50% do saldo devedor original, desde que a nova parcela permaneça dentro desse mesmo limite de 90%.

O prazo após a renegociação pode ser estendido conforme o tempo restante do contrato;

⇒ até um mês para dívidas com prazo remanescente de até seis meses;

⇒ até dois meses para dívidas entre seis e 12 meses;

⇒ até quatro meses para dívidas entre 12 e 24 meses;

⇒ até seis meses para contratos com mais de 24 parcelas restantes.

Quem aderir ao programa ficará impedido de apostar em bets por até seis meses.

Contexto e próximos passos

O Desenrola Adimplentes é a segunda fase de um pacote de crédito lançado pelo Planalto em 2026, às vésperas do período eleitoral. Na primeira versão do programa, voltada para endividados, o governo renegociou dívidas de 7,5 milhões de famílias, com R$ 17,5 bilhões renegociados e desconto médio de 80%, conforme divulgado nesta segunda-feira (29/6).

A medida não terá impacto primário no orçamento da União, pois não exigirá novo aporte do Tesouro no fundo garantidor.

Em nota, o Banco do Brasil afirmou que as medidas são relevantes “para o estímulo à adimplência, à promoção da inclusão financeira e ao fortalecimento da capacidade financeira das famílias brasileiras” e que oferecerá a modalidade. A instituição condicionou a operacionalização à publicação dos atos normativos de regulamentação; “A partir da publicação e vigência dos atos normativos de regulamentação dos programas, serão conduzidos os ajustes para operacionalização das linhas de crédito destinadas aos tomadores de crédito adimplentes, de acordo com os critérios e condições de elegibilidade e enquadramento, observando as avaliações técnicas e políticas operacionais para concessão de crédito do Banco do Brasil.”

Também nesta segunda-feira (29/6), o governo federal anunciou o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia em empréstimos consignados CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), com teto de juros também de 1,99% ao mês. Pelas novas regras, o trabalhador poderá usar até 10% do saldo do FGTS se optar pelo saque-rescisão, além de oferecer 35% das verbas rescisórias ou até 100% da multa do FGTS como garantias adicionais.

André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica, avaliou que o impacto da medida sobre os juros ainda é incerto. “O FGTS e a multa rescisória como garantias para as instituições financeiras tende a melhorar um pouco esse cenário de taxas muito elevadas para o trabalhador. Deve reduzi-las em alguma medida”, declarou o economista, ponderando que o atual cenário macroeconômico, com juros e endividamento elevados, limitará os efeitos.

O governo ainda deve anunciar nesta semana um programa de renegociação de dívidas para MEIs (microempreendedores individuais), com descontos de até 70%.

 

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