Arnold Ventures doa US$ 2,6 mi para estudar impacto de apostas esportivas

Apostas I 10.07.26

Por: Magno José

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Arnold Ventures doa US$ 2,6 mi para estudar impacto de apostas esportivas
Fundação do bilionário americano John Arnold financia 12 universidades para mapear efeitos no bem-estar e saúde mental para guiar legisladores (Foto: Arnold Ventures/Divulgação)

A Arnold Ventures, fundação do bilionário americano John Arnold e sua esposa Laura, concedeu cerca de US$ 2,6 milhões em bolsas de pesquisa a 12 universidades e centros de estudo dedicados a investigar os efeitos das apostas esportivas nos Estados Unidos. O anúncio foi feito nesta terça-feira (7/7).

O financiamento tem como objetivo central mapear como as apostas esportivas online afetam quem as utiliza. Entre as instituições contempladas estão a Universidade Princeton, a Universidade da Pensilvânia e a Universidade de Wisconsin. Os projetos analisarão impactos no bem-estar financeiro, na formação de famílias, na saúde mental e no comportamento do consumidor.

Dados para legisladores

A estratégia da fundação é fornecer aos legisladores americanos evidências independentes para embasar decisões regulatórias sobre o setor. Uma porta-voz da Arnold Ventures explicou à revista Fortune que a fundação busca “ferramentas melhores” para orientar esse debate. “As apostas esportivas se expandiram rapidamente por todo o país, mas as autoridades muitas vezes carecem de pesquisas causais rigorosas sobre seus efeitos e sobre quais abordagens regulatórias são mais eficazes”, disse. “Esses estudos foram concebidos para ajudar a preencher essa lacuna.”

A maioria dos estudos financiados compara estados americanos a partir da data em que cada um legalizou as apostas esportivas online. Essa metodologia permite isolar os efeitos das decisões de legalização.

O pano de fundo é uma transformação estrutural do mercado. Em 2018, uma decisão da Suprema Corte americana abriu caminho para a legalização das apostas esportivas nos estados. Desde então, segundo John Arnold, o ambiente mudou radicalmente. “A possibilidade de apostar pelo celular aumentou drasticamente o acesso e reduziu as barreiras”, disse Arnold à CNBC. “É possível apostar em cada jogada. É possível apostar com uma rapidez que nunca foi possível quando era preciso fazer uma ligação para fazer uma aposta.”

Justin Milner, vice-presidente executivo de evidências e avaliação da Arnold Ventures, reforçou a visão que motivou o investimento; “Qualquer pessoa com um smartphone pode, na prática, ter um cassino no bolso.”

Arnold também avaliou a postura dos estados diante da legalização. “Muitos estados se apressaram em legalizar as apostas esportivas em 2018. E acho que eles ficaram muito atraídos pela receita tributária potencial”, disse à CNBC. “É muito atraente para uma legislatura estadual obter dinheiro de um imposto voluntário em vez de um imposto obrigatório.”

Mercados de previsão fora do escopo

Nenhum dos 12 estudos abrangerá mercados de previsão, como Kalshi e Polymarket. A porta-voz da Arnold Ventures justificou a exclusão; “O acesso a dados de apostas provenientes de plataformas de mercados de previsão é extremamente limitado, o que torna difícil para pesquisadores independentes conduzirem avaliações causais rigorosas.” Ela acrescentou que esses mercados, regulamentados em nível federal pela Commodity Futures Trading Commission, não oferecem a variação entre estados necessária para a metodologia comparativa adotada nos estudos.

A fundação também rejeitou a ideia de que o financiamento privilegia alguma perspectiva específica sobre o tema. A porta-voz afirmou que o objetivo é garantir que “os legisladores compreendam toda a gama de consequências associadas às apostas esportivas, para que, quando estiverem prontos para agir, as evidências estejam disponíveis para apoiá-los”. Ela acrescentou que a fundação não está financiando o trabalho “para apoiar um resultado legislativo predeterminado ou uma posição sobre a legalização”.

Histórico de doações

As bolsas de pesquisa se inserem em um histórico filantrópico extenso do casal Arnold. Até fevereiro de 2026, John e Laura Arnold haviam doado mais de US$ 2,3 bilhões, segundo a Forbes, com foco em justiça criminal e educação. O casal é signatário do Giving Pledge, pacto pelo qual super-ricos se comprometem a doar ao menos metade de seu patrimônio. Conforme relatório de 2025 do Institute for Policy Studies, os Arnold são os únicos signatários tecnicamente em conformidade com esse compromisso.

 


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