Superbet lança Superlinha e investe R$ 60 mi contra vício em apostas

Apostas I 31.08.26

Por: Magno José

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Superbet lança Superlinha e investe R$ 60 mi contra vício em apostas
Iniciativa terá atendimento 24 horas e capacidade para 3.500 atendimentos mensais no Instituto de Proteção ao Jogador. Atendimento gratuito por telefone e WhatsApp encaminha usuários para assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras

A Superbet lançou nesta segunda-feira (31/8) uma linha de atendimento 24 horas, por telefone e WhatsApp, voltada a pessoas com vício em apostas. A iniciativa é acompanhada por uma campanha publicitária de R$ 60 milhões, com estreia em comercial na TV Globo estrelado pelo ex-jogador Cafu.

Segundo a Folha de S.Paulo, os usuários atendidos pela linha serão encaminhados ao IPJ (Instituto de Proteção ao Jogador), unidade criada por empresas de apostas que receberá aportes adicionais da Superbet. O serviço conta com assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, e tem capacidade inicial para até 3.500 atendimentos mensais. A empresa afirma que vai ajustar essa escala conforme a demanda.

O CEO da empresa, Alexandre Fonseca, afirmou que a campanha, batizada de “Superlinha”, é o segundo maior investimento em mídia da história da Superbet, superado apenas pela ação publicitária realizada durante a Copa do Mundo. “É um investimento considerável, e eu não consigo nem cravar o valor total da campanha”, declarou. Cada inserção de 30 segundos no intervalo da novela das 19h da Globo custa cerca de R$ 600 mil, conforme a lista de preços da emissora.

A divulgação também está prevista nas redes sociais e nos estádios onde a Superbet é patrocinadora, como o do São Paulo. “Vamos utilizar todo o arsenal de mídia que nós temos aqui na Superbet”, disse Fonseca.

 

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Educação, não proibição

O executivo rejeitou a tese de que a campanha tem fins comerciais. “Não é uma campanha que vise adquirir usuários ou de alguma forma capitalizar para empresa como marca”, afirmou. Para Fonseca, a resposta ao problema do vício passa pela educação do consumidor, não por medidas restritivas. “Uns defendem a tributação, uns defendem o cancelamento da atividade, outros defendem uma regulamentação mais rígida. Nós, como especialistas nisso, acreditamos que a raiz do problema é a educação do consumidor.”

O CEO também se posicionou contra a proibição das propagandas de apostas, argumentando que isso equipararia casas de apostas regulamentadas — que pagaram R$ 30 milhões por licença e seguem regras contra o vício — às marcas clandestinas. “A minha única diferenciação como casa de apostas regulamentada no Brasil é poder fazer publicidade ampla”, disse.

O peso do vício no país

O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, publicado em 2025, estimou que cerca de 1,4 milhão de brasileiros (0,8% da população) apresentam quadros compatíveis com diagnóstico provável de Transtorno do Jogo. O psiquiatra Rodrigo Machado, do Hospital das Clínicas, aponta, porém, que o Brasil enfrenta um problema adicional: a taxa de jogadores com risco de adoecimento supera 7% no país, enquanto em outros países esse índice fica entre 1% e 3%. “O número de diagnósticos de ludopatia demora mais a subir e ainda deve crescer em vista da legalização recente no país”, afirmou.

Na Noruega, o índice de jogadores adoecidos caiu de 1,4% em 2019 para 0,6% em 2022, após o governo criar um duopólio estatal e banir a publicidade de operadores privados estrangeiros. Fonseca avalia que a comparação com o modelo norueguês é inadequada. “Na Noruega, partimos de uma base de educação muito alta, um cenário econômico completamente diferente, muito mais estável, uma renda muito mais alta e uma cesta de serviços básicos oferecidos pelo governo que é enorme”, disse o CEO.

Mercado em expansão

Apesar das pressões regulatórias, Fonseca vê espaço para o setor crescer. Dados do Ministério da Fazenda de 2025 indicam que cerca de 10% da população brasileira aposta online; na Inglaterra, esse índice chega a 25%. Em 2025, o Brasil foi o terceiro país que mais gerou receita para as casas de apostas do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Inglaterra. O faturamento do setor — somando bets reguladas e clandestinas — foi estimado entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões.

O executivo afirmou que uma eventual proibição das apostas online transferiria toda essa receita para o mercado ilegal. “Eu não vejo isso no cenário, para ser muito sincero”, disse Fonseca, que antes de chefiar a Superbet foi diretor da Betano e negociou a aquisição dos naming rights do Campeonato Brasileiro.

 

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