AGS completa 12 meses como empresa privada e registra receita recorde nos EUA

A AGS completou quase 12 meses sob nova estrutura de propriedade privada. A Brightstar Capital Partners adquiriu a fornecedora global de jogos de slots, mesas e produtos interativos por US$ 1,1 bilhão. A transação foi aprovada pelos reguladores de Nevada e concluída no terceiro trimestre de 2025.
Kimo Akiona, diretor financeiro da AGS, compareceu perante a Comissão de Jogos de Nevada para apresentar relatório sobre o desempenho da companhia. O executivo trabalha na empresa há 11 anos. Segundo informações da CDC Gaming, Akiona informou ao órgão regulador que 2025 marcou o quinto ano consecutivo de crescimento de receita e EBITDA da AGS. Os dois indicadores atingiram recordes históricos.
“Na frente financeira, a empresa está indo muito bem. O ritmo continua acelerado e nossas perspectivas são ótimas”, disse Akiona. “Estamos em níveis recordes de investimento interno orgânico na empresa, principalmente em nosso grupo de pesquisa e desenvolvimento e na área comercial. A Brightstar tem nos apoiado muito. Eles são muito participativos e estão nos incentivando a acelerar alguns dos planos que já tínhamos em andamento.”
A Brightstar Capital Partners é uma empresa de private equity que concentra investimentos em negócios industriais, de manufatura e de serviços no mercado intermediário. A operação teve como objetivo impulsionar a expansão global da AGS.
A Apollo Global Management havia adquirido participação acionária na AGS em 2013. Conduziu a abertura de capital da companhia em 2018. Vendeu suas ações em 2022.
Brian Krolicki, membro da Comissão de Jogos de Nevada, observou durante a reunião que parece haver um movimento de entidades migrando do setor público para o privado no âmbito corporativo. O comissionado ressalvou não considerar ainda tratar-se de uma tendência consolidada.
“Precisamos conversar sobre isso”, disse Krolicki. “Entendemos que uma empresa de capital aberto tem certos valores, mas se você não aproveita essas oportunidades, talvez seja mais apropriado ser uma empresa privada. A maioria das empresas aspira a se tornar pública e já vimos algumas fecharem o capital.”
Akiona concordou que houve diversas transações no setor de jogos em que empresas que eram públicas se tornaram privadas.
“Se você analisar a lógica por trás dessas transações, verá que ela é bastante consistente”, disse Akiona. “As vantagens de ser uma empresa de capital aberto são o acesso aos mercados de capitais e a possibilidade de captar recursos para apoiar objetivos estratégicos. Às vezes, o desempenho operacional não é recompensado de forma justa. Esses fatores geralmente estão fora do nosso controle; talvez um setor não seja favorável ao mercado de ações. Ou o tamanho da empresa seja um problema. Éramos uma empresa de microcapitalização operando em determinados cenários macroeconômicos.”
O diretor financeiro da AGS explicou os benefícios de operar como empresa privada em comparação com o mercado de capitais aberto.
“Não estamos vivendo no ritmo trimestral em que os mercados públicos avaliam você a cada 90 dias”, disse Akiona. “Ao administrar esta empresa, buscamos tomar decisões que sejam do melhor interesse de nossos acionistas e proprietários a longo prazo. Às vezes, isso significa investir em nossa equipe de P&D e, outras vezes, expandir um novo estúdio. Em alguns casos, os custos não impactam o lucro e prejuízo da maneira que os mercados públicos possam perceber, mas sabemos que, para o interesse da empresa a longo prazo, essa é a decisão correta. O mercado privado é um ambiente melhor para uma empresa como a nossa, permitindo que invistamos organicamente em nós mesmos para sustentar o crescimento a longo prazo.”
A AGS expandiu seu quadro de funcionários desde a aquisição pela Brightstar Capital Partners. A empresa mantém mais de 1.000 funcionários. Destes, 150 estão baseados em Nevada, estado onde se localiza a sede corporativa.
“Se você comparar o número de funcionários no fechamento da transação com o de hoje, verá que, na verdade, crescemos”, disse Akiona. “Trata-se de uma transação baseada no crescimento e no investimento no negócio. Não é uma transação em que estamos sob o controle de uma empresa de private equity, que entra para cortar custos, aumentar as margens e reestruturar a empresa. A Brightstar, como nossa patrocinadora, não está apenas trazendo o apoio financeiro, mas também, filosoficamente, se você analisar a empresa, verá que ela é muito focada na excelência operacional.”
A AGS concentra suas operações na América do Norte com atuação nos Estados Unidos, Canadá, México, mas a empresa também opera em outros países da América Latina e no Brasil com Terminais de Vídeo Loteria (VLT). Opera 23 mil máquinas alugadas, distribuídas principalmente entre Estados Unidos e México.
Akiona respondeu a questionamentos de Krolicki sobre o interesse da empresa no mercado brasileiro. O executivo indicou que a América Central e do Sul representam oportunidades para a companhia.
“Para nós, a primeira fase desse crescimento virá da venda de nossas máquinas caça-níqueis em diversos mercados, principalmente por meio de distribuidores”, disse Akiona. “O Brasil é um projeto de longo prazo para o qual queremos estar preparados caso o país adote a regulamentação de jogos de Classe III. Enquanto isso, temos trabalhado em diferentes conteúdos de jogos e gabinetes para esse mercado.”
A estratégia para o Brasil envolve desenvolvimento de conteúdo e equipamentos específicos. A empresa aguarda possíveis mudanças regulatórias no país.

