Após reunião com organizadas, Boulos reconhece que fim das bets afetou clubes e diz que governo vai ‘discutir medidas’

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos se reuniu nesta segunda-feira (19/10) com representantes de 35 torcidas organizadas de diferentes clubes do país. O encontro, realizado em São Paulo, durou mais de duas horas. Ao fim, Boulos se comprometeu a criar um grupo de trabalho permanente no governo federal voltado para demandas do segmento.
A reunião, fechada, atende a um pedido das torcidas por um canal mais direto com o poder público, segundo a Globo Online. Um dos temas centrais do futuro grupo de trabalho será a busca por alternativas ao vácuo de patrocínio gerado pela proibição das casas de apostas no Brasil, medida que passou a valer neste mês de outubro de 2026.
Impacto das bets no futebol
Boulos reconheceu que o encerramento das atividades das bets cria um problema financeiro para os clubes. Em declaração a jornalistas após a reunião, o ministro afirmou que “as bets patrocinaram boa parte dos clubes de futebol da Série A, da Série B, inclusive inflacionando o patrocínio do futebol” e que, “com a decisão do governo de encerrar a atividade das bets, pelo bem da saúde pública, da sanidade da sociedade brasileira, criou-se um problema, que o nosso governo reconhece, em relação ao financiamento dos clubes de futebol”. Segundo ele, o governo está “discutindo medidas”, mas ainda é cedo para se comprometer com alguma ação específica.
Os grandes clubes já tinham se unido para criticar a proibição, argumentando que o patrocínio das casas de apostas impactava diretamente as finanças dos times. Até o Campeonato Brasileiro contava com esse tipo de publicidade.

Demandas das torcidas ao governo
Na carta entregue a Boulos durante o encontro, a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg) pede que o presidente Lula (PT) assuma uma “agenda de valorização, organização, participação social, prevenção da violência e garantia de direitos das torcidas organizadas”. Entre os pedidos estão a criação de um dia nacional em homenagem às agremiações e a revisão de trecho da Lei Geral do Esporte para substituir a responsabilização coletiva por punições individuais nos casos de violência nos estádios.
Alguns representantes também cobraram mais atenção do governo às torcidas, que dizem representar a periferia. A falta de diálogo, segundo eles, estaria levando parte dos torcedores a se distanciar da esquerda e a se aproximar da direita. A pauta política foi abordada durante a reunião, realizada a menos de uma semana do segundo turno.
Próximos passos do grupo de trabalho
O grupo de trabalho deve ser montado no Ministério da Secretaria-Geral nas próximas semanas. Participarão também representantes dos Ministérios do Esporte, da Justiça e da Cultura. As torcidas organizadas vão definir, de forma coletiva, como se dará a representação de cada uma delas no colegiado.
Wildner Rocha, conhecido como Pulguinha, integrante da diretoria da Gaviões da Fiel, afirmou que as demandas das torcidas envolvem “várias áreas do governo, como segurança, cultura e justiça” e que o setor espera “uma abertura de canal e um diálogo permanente” com o poder público.


