As virtudes do vício e o vício das virtudes.

Cassino I 07.07.04

Por: sync

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“Mas se você tiver alguma”, afirmou ele, “nós vamos encontrá-la”.Las Vegas é a máquina mais eficiente já inventada para realçar a tendência ou a fraqueza de suas fortunas terrestres, tanto se essa fraqueza for jogo, sexo, bebida, ostentação ou consumo.Despido de eufemismo, é precisamente isso o que o jogo e a indústria do entretenimento de Las Vegas é desenhada para explorar. E muito da vida política e comercial do sul de Nevada que se dedica a ajudar as grandes e ricas corporações que hoje dominam a faixa e a paisagem árida do entorno atingem esse fim. Alguns descreveram Las Vegas como o epicentro do crime organizado global, onde as organizações plantam suas fortunas conseguidas de maneira ilícita nas areias do deserto e de onde brotam palácios do prazer em forma de hotéis-cassino que geram ainda mais milhões. Sally Danton e Roger Morris, autores de “O Dinheiro e o Poder: Os Bastidores de Las Vegas e sua Influência na América”, a chamam de “a cidade-estado criminal da América” onde todas as instituições são corrompidas pela influência do dinheiro sujo.Isso pode ter sido obviamente verdadeiro há uma ou duas gerações. Mas a verdade hoje é talvez mais mundana e complexa – e, de certa forma, mais fascinante.O negócio que foi brutalmente conduzido por Meyer Lanky, Bugsy Sielgel, Moe Dalitz e Howard Hughes é hoje dominado por um monte de empresas de “entretenimento”, entre elas Harrah’s, Caesars, MGM/Mirage e Mandalay Bay Resorts. Steve Wynn, que transformou a cidade há uma década com a exuberância do Bellagio, está retornando à cena com um novo hotel de 2.700 quartos que custará US$ 2 bilhões para ser concluído.Ninguém investe esse tipo de dinheiro sem alguma certeza que o clima político e econômico apoiará o empreendimento, e as instituições políticas de Nevada sempre se provaram mais do que complacentes, disse Hal K. Rothman, um professor de História da Universidade de Nevada, em Las Vegas.“O governo aqui sempre foi fraco”, afirmou Rothman. Por anos, a estrutura de poder de Nevada – o governo estadual e local, a Convenção de Las Vegas e a Autoridade dos Visitantes, as câmaras de comércio – serviu aos interesses das grandes empresas de jogos, afirmou ele. Era benefício de todos manter os visitantes vindo, pavimentar a estrada para o desenvolvimento, manter as taxas baixas.É difícil, às vezes, distinguir entre o governo de Nevada e a tão falada indústria de resorts. Um dos seus senadores americanos, John Ensign, é o filho de Mike Ensign, diretor do Mandalay Bay Resort Group e ele próprio é ex-gerente de um hotel-cassino. Seu governador, Bob Miller, há tempos no cargo, é o filho de Ross Miller, um nativo de Chicago com boas ligações que se mudou para Las Vegas nos anos 50 para ajudar a organização a comandar suas operações de jogo em Nevada. O Miller mais novo hoje serve como um conselheiro legal para as empresas de jogo e pertence ao quadro dirigente da empresa de Wynn.Três membros da Comissão do Condado de Clark foram indiciados no ano passado sob acusações de aceitar centenas de milhares de dólares em suborno dos proprietários de clubes de strip-tease. Os candidatos para legislatura do Estado levantaram cerca de US$ 300.000, muito disso dos lucros dos cassinos, para aceitar um emprego de meio-período que paga US$ 7.800 por ano, talvez na esperança de um lugar na porta giratória entre o governo e a indústria-chefe do Estado.O governo há tempos tem sido o servo daquilo que dirige a economia de Nevada, fazendo vistas grossas quando necessário, estendendo a mão em sinal de ajuda quando possível. Não é por acidente que Oscar Goodman, que fez seu nome e sua fortuna representando criminosos, é o prefeito de Las Vegas. Entre suas propostas atuais estão a legalização da prostituição na cidade de Las Vegas e a construção de um “museu” para santificar a herança criminal da cidade.“Nós transformamos o vício em virtude”, disse Rothman com um senso distorcido do certo.Las Vegas pode estar no meio de outra de suas reinvenções constantes. As décadas do fim dos anos 40 até o fim dos anos 70 foram a era da gentalha. De 1981 a 2001, Las Vegas viu um crescimento fenomenal e o advento de mega-resorts, junto com uma mudança em sua imagem de suja para amiga da família e de volta à primeira. A próxima década provavelmente trará outro modelo de negócios, apesar do vício legalizado ainda estar no seu centro.“A cidade se recaracterizou diversas vezes, com um camaleão”, afirmou Miller, o ex-governador. Mas com o rápido crescimento da região de Las Vegas, os novos centros de poder começarão a emergir depois de uma dominância de meio século da indústria de jogos e seus desdobramentos. Os corretores de imóveis, bancos, gigantes do varejo, empreiteiros de estradas, vendedores de carros, pequenos negócios – dinheiro que exerce influência política e econômica em cidades “normais” – estão começando a fazer sentir seu peso.“Eles estão prontos para se impor aos cachorros grandes pela primeira vez e enfrentar a indústria do jogo”, afirmou Guy Rocha, o arquivista do Estado de Nevada.“Nevada pode estar se movendo em uma nova direção, onde a indústria de jogo não poderá mais fazer coisas por decreto”, afirmou Rocha.Se isso acontecer, afirmou ele, marcará um momento revolucionário na história de Nevada.Último Segundo


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