Bets: 77% dos apostadores admitem condutas irregulares no Brasil

Apostas I 11.08.26

Por: Magno José

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Estudo revela que participação do mercado ilegal no setor de apostas caiu no 1º semestre de 2026 em relação a 2025 2
Estudo revela que metade dos usuários praticou ao menos duas infrações, configurando aposta ilegal mesmo após a regulamentação do setor

Pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada nesta terça-feira (11/8) revela que 77% dos usuários de apostas esportivas no Brasil admitem ter adotado ao menos uma conduta irregular ao apostar nos três meses anteriores à coleta dos dados. Metade dos entrevistados relatou praticar ao menos duas condutas vedadas pela legislação, o que os classifica como apostadores ilegais pelo critério do estudo, registra reportagem do O Globo.

O levantamento expõe a persistência de um mercado não licenciado relevante, mesmo após a regulamentação do setor. O índice de apostadores que praticaram duas ou mais irregularidades recuou de 62%, no primeiro semestre de 2025, e de 55%, no segundo semestre de 2025, para 50% em maio deste ano — queda presente, mas ainda em patamar elevado, segundo os próprios pesquisadores.

Práticas irregulares mais comuns

A pesquisa identificou quatro condutas vedadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, por portaria editada em 2024: apostar em sites sem reconhecimento facial, utilizar plataformas sem o domínio “bet.br”, realizar depósitos com cartão de crédito e operar com criptoativos. Entre os entrevistados, 53% apostaram em sites que não exigiram reconhecimento facial e 48% usaram plataformas fora do domínio oficial.

O advogado André Santa Rita, especialista em direito regulatório, diz que “a exigência de reconhecimento facial busca frear o acesso de impedidos de apostar, como menores de idade e pessoas que possam ter acesso a informações sobre eventos esportivos objeto de apostas”. Quanto ao domínio “bet.br”, afirmou que ele “está relacionado à identificação dos sites que operam em todo o território nacional com licença do governo, permitindo que o apostador conheça as plataformas nacionais autorizadas”.

Depósitos via cartão de crédito foram reportados por 37% dos entrevistados. O uso de criptoativos para apostas foi admitido por 23%. Daniel Dias, professor da FGV Direito Rio, classifica a proibição do cartão de crédito como medida de “jogo responsável e prevenção do superendividamento”. Sobre os criptoativos, Dias diz que “o objetivo é a prevenção à lavagem de dinheiro, a identificação da origem dos recursos e a rastreabilidade financeira”.

Perfil dos apostadores irregulares

A faixa etária de 18 a 29 anos concentra a maior proporção de apostadores irregulares: 54% dos entrevistados nesse grupo praticaram ao menos duas condutas vedadas. Entre os com 50 anos ou mais, o índice cai para 43%. A distribuição por gênero é próxima: 51% das mulheres e 49% dos homens admitiram ao menos duas irregularidades.

Por renda, o comportamento irregular é igualmente distribuído. Entre apostadores com até dois salários-mínimos, o índice chega a 51%. Entre os que ganham de dois a seis salários-mínimos, é de 49%; acima de seis salários-mínimos, de 48%.

Entre os apostadores irregulares, 51% afirmam que as plataformas não licenciadas são as únicas que utilizam. Outros 36% as apontam como aquelas em que realizam a maior parte das apostas.

Cobrança por fiscalização

Apesar da exposição ao risco, os entrevistados demonstram consciência sobre o problema. Também 77% concordam, total ou parcialmente, que bets ilegais são mais perigosas por não cumprirem regras de jogo responsável. O mesmo percentual defende que combater essas plataformas deve ser prioridade das autoridades para prevenir o vício.

Para 63% dos entrevistados, o governo federal ainda pode fazer mais contra sites e aplicativos irregulares. Os outros 37% avaliam que o Executivo já age no limite de suas possibilidades. Até julho deste ano, mais de 54 mil sites irregulares haviam sido derrubados pelo governo.

A cobrança por maior empenho é majoritária inclusive entre os próprios apostadores ilegais: 58% desse grupo defendem ações mais firmes.

Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, afirma que “o estudo revela uma ligeira redução da participação das apostas ilegais, mas ainda em patamares elevados, com metade dos apostadores brasileiros transitando no mercado não licenciado”. Ele destaca que “há quase consenso de que esse problema precisa ser encarado; mesmo quem joga nos sites clandestinos acha que é um dever do país combatê-los com mais força”.

O levantamento ouviu 2.291 pessoas no Brasil em maio deste ano. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais.

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